quinta-feira, 8 de abril de 2010

...QUE ESTE AMOR É DE PEDRO POR INÊS!!!...COIMBRA, 8 de Abril de 1320, nasce D. Pedro I...O-Até-ao- Fim-do-Mundo-Apaixonado...

...COIMBRA, ONDE UMA VEZ...COM LÁGRIMAS SE FEZ, A HISTÓRIA DESSA INÊS...TÃO LINDA!!!...(2ª parte)




Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês...




terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

FILHO do CHOUPAL!!!...ELFO de DEDOS GENIAIS!..."...aquela música era feita de alvoradas, canto de pássaros anunciando o sol."...CARLOS PAREDES.


NASCE em COIMBRA a 16 de FEVEREIRO de 1925...é um guitarrista que para além das influências dos seus antepassados - pais, avós, tios, todos eles exímios guitarristas de Coimbra - mantém um estilo Coimbrão, a sua guitarra é de Coimbra, e a própria afinação !...


CARLOS PAREDES

Ó guitarra lusitana!
Ó harpa das loucas correrias!
Salgado mar das fantasias...
É a voz do povo que te chama!
Redentora e fraternal,
és tu quem anuncia
a hora da alegria
de ser de novo
O Povo,
O Rei de Portugal.
(Carlos Carranca)

CARLOS PAREDES

"Não o pensava antes,quando escutava a guitarra de Carlos Paredes, mas hoje,recordando-a, compreendo que aquela música era feita de alvoradas, canto de pássaros anunciando o sol.Ainda tivemos de esperar uma década antes que outra madrugada viesse abrir-se para a liberdade, mas o inesquecível tema de VERDES ANOS,esse cantar de extática alegria que ao mesmo tempo se entretece em harpejos de uma surda e irreprimível melancolia,tornou-se para nós numa espécie de oração laica, um toque a reunir de esperanças e vontades.Já seria muito, mas ainda não era tudo.O resto que ainda faltava conhecer era o homem de dedos geniais,o homem que nos mostrava como podia ser belo e robusto o som de uma guitarra, e que era, a par de músico e intérprete excepcional, um exemplo extraordinário de simplicidade e grandeza de carácter.A CARLOS PAREDES NÃO ERA PRECISO PEDIR QUE NOS FRANQUEASSE AS PORTAS DO SEU CORAÇÃO.ESTAVAM SEMPRE ABERTAS."

José Saramago, in o Caderno de Saramago.


GUITARRA
(Carlos Paredes)

A palavra por dentro da guitarra
a guitarra por dentro da palavra.
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
esta mão que nos busca e nos lavra
com seu fio de mágoa e cimitarra.

Asa e navalha.E campo de Batalha.
E nau charrua e praça e rua.
(E também lua e também lua)
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento)

Esta mão de meseta
voltada para o mar
esta garra por dentro da tristeza.
Ei-la a voltar de Alcácer Quibir.

Ó mão cigarra
mão cigana
guitarra guitarra
lusitana.

Manuel Alegre.



"Quando eu morrer, morre a guitarra também.
O meu pai dizia que, quando morresse,queria
que lhe partissem a guitarra e a enterrassem
com ele.
Eu desejaria fazer o mesmo.Se eu tiver de morrer." Carlos Paredes.


Carlos Paredes - "Coimbra e o Mondego" You Tube

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

TOLDAM-SE OS ARES...MURCHAM-SE AS FLORES: MORREI, AMORES...QUE INÊS MORREU!!!....


...COIMBRA, ONDE UMA VEZ...COM LÁGRIMAS SE FEZ, A HISTÓRIA DESSA INÊS...TÃO LINDA!!!...(1ª parte)


...D.Pedro está fora, numa caçada, e a 7 de Janeiro três nobres e el-Rei aproveitam a ausência para invadir o Paço de Santa Clara, em Coimbra...APENAS OS POETAS SE REVOLTAM...

CAMÕES...

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito(...)...

GARCIA DE RESENDE...

"Estes homens d'onde irão?"
E tanto que perguntei,
Soube logo que era el-Rei.
Quando vi tão apressado,
meu coração trespassado,
foi, que nunca mais falei.

E quando vi que descia,
Saí à porta da sala;
Devinhando o que queria,
Com grã choro e cortesia
Lhe fiz ua triste fala.
Meus filhos pus derredor
De mim, com grã humildade;
Mui cortada de temor,
Lhe disse: "havei, Senhor,
Desta triste, piedade!
(...)

ANTÓNIO FERREIRA...

Esta é a mãe dos teus netos.Estes são
Filhos daquele filho, que tanto amas.
Esta é aquela coitada mulher fraca,
Contra quem vens armado de crueza.
(...)

CAMÕES...

Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito
(Se de humano é matar uma donzela,
Fraca e sem força, só por ter sujeito
O coração a quem soube vencê-la),
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o não tens à morte escura dela;
Mova-te a piedade sua e minha,
Pois te não move a culpa que não tinha.
(...)

BOCAGE...

Ministros do Furor, três vis algozes,
de buídos punhais a dextra armada,
Contra a bela infeliz, bramando avançam.
Ela grita, ela treme, ela descora;
Os frutos da ternura ao seio aperta,
Invocando a piedade, os Céus, o amante...

"Aves sinistras
Aqui piaram
Lobos uivaram,
O chão tremeu.

"TOLDAM-SE OS ARES,
MURCHAM-SE AS FLORES:
MORREI, AMORES,
QUE INÊS MORREU."

AO AMOR!!!


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

OH COIMBRA do MONDEGO...e dos AMORES que eu lá tive...(1ª parte)


FÁBULA DEL MONDEGO

Gran Rey, pues que bajais vuestros oídos
por esa tan humana mansedumbre
al canto pastoril, yo hecho osado
de nuevo moveré hacia la cumbre
del sublime Parnaso mis sentidos,
que dél estaba ya medio olvidado.
El bueno, el alabado
Titiro mantuano
alzando el cantar llano
del campo, nos dejó sobrada excusa
de correr tras su leda ufana Musa
cuando pues como él usa
reconociendo siempre su poder.

ENTRE EL GRAN TAJO Y EL DUERO EL BUEN MONDEGO
(UN TIEMPO MUNDA, TAL ES SU AGUA CLARA)

se espacia por los campos paseando,
salido donde el monte le apretara.
El trabajo vencido entra en sosiego,
y como vencedor va triunfando
adó agora cantando
junta las nueve hermanas
del favor vuestro ufanas
acordadas se mueven, y en concierto
hinchiendo de armonia el aíre abierto
ensalzan vuestro nombre, y subirle han
del cielo al alto puerto,
de tales Reyes por sus obras van.

FRANCISCO de SÁ de MIRANDA, Coimbra, 28 de Agosto de 1481


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

REY - TROVADOR...FUNDADOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA...nasce a 9 de Outubro de 1261...EL- REY D. DINIZ !!!


Ai, flores, ai, flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
Ai, Deus, e u é?

Ai, flores, ai,flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo?
Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que ni à jurado?
Ai, Deus, e u é?

Vós me preguntasdes polo vosso amigo?
E eu ben vos digo que é sano e vivo,
Ai, Deus, e u é?

Vós me preguntades polo vosso amado?
E eu ben vos digo que é vivo e sano,
Ai, Deus, e u é?

E eu ben vos digoque é sano e vivo
e seerá vosco ante o prazo saido.
Ai,Deus,e u é?

E eu ben vos digo que é vivo e sano
e seerá vosco ante o prazo passado.
Ai, Deus, e u é?

... El-Rey D.Diniz, nasceu a 9 de Outubro de 1261...pelo seu Decreto "Magna Charta Priveligiorum" foi fundada a Universidade de Coimbra em 1 de Março de 1290...a 1ª em Portugal...e desde aqui se ensinou as Artes, o Direito Civil, o Direito Canónico e a Medicina...


D. DINIS

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
Do Império,ondulam sem se poder ver.

Arroio,esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a falta dos pinhais,marulho obscuro,
É o som presente desse marfuturo,
É a voz da terra ansiando pelo mar.

Fernando Pessoa, in "mensagem"

REY-POETA...TROVADOR!...GLÓRIA MÁXIMA DA NOSSA ACADEMIA!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"SÓ, INCESSANTE, UM SOM DE FLAUTA CHORA..." CAMILO PESSANHA!...EXPOENTE MÁXIMO DO SIMBOLISMO...FILHO DE COIMBRA E DO MONDEGO!!!


No dia 7 de Setembro de 1867, nasce em Coimbra Camilo de Almeida Pessanha, filho de um estudante de Direito e de uma tricana.
Em 1891 conclui o curso de Direito na Universidade...boémio das noites coimbrãs!...honra da nossa academia!!!...desiludido com o provincianismo larvante parte para Macau em 1894...e por lá se queda...consumindo regularmente absinto e ópio.
Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro foram grandes admiradores da sua poesia...os seus poemas influenciaram largamente a geração de Orpheu.
Apesar de pequena a sua obra CLEPSIDRA é um dos maiores poetas portugueses!


COIMBRA TEM UMA DIVIDA DE GRATIDÃO PARA COM CAMILO PESSANHA!


AO LONGE OS BARCOS DE FLORES

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra?E os beijos?Tudo a noite fora
Cauta, detém.Só modulada trila
A flauta flébil...Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...

domingo, 2 de agosto de 2009

ZECA AFONSO...UM GRANDE TROVADOR MODERNO...ligando de novo a poesia e a música...GLÓRIA DA ACADEMIA COIMBRÃ!


José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos,nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, na "parte da Cidade voltada para o realismo e para o mar".Filho de um magistrado e de uma directora de escola infantil.Cursou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se formou em Filosofia.



"As noites passavanas em deambulações secretas pela cidade, acompanhado por mais meia dúzia de meliantes da minha idade, amantes inconsequentes da noite.Com uma guitarra e uma viola fazíamos a festa."



"A sua voz está tão cheia de ternura que será irremediávelmente subversiva."



"Por vacação íntima, irmão de Alvaro de Campos".



Faleceu prematuramente a 23 de Fevereiro de 1987.



"Águas das fontes calai

Ò ribeiros chorai

Que eu não volto a cantar."





Cantigas de Maio



Eu fui ver a minha amada

Lá prós baixos de um jardim

Dei-lhe uma rosa encarnada

Para se lembrar de mim.



Eu fui ver o meu benzinho

Lá prós lados de um passal

Dei-lhe o meulençode linho

Que é do mais fino bragal



Eu fui ver uma donzela

Numa barquinha a dormir

Dei-lhe umacolcha de seda

Para nela se cobrir



Eu fui veruma solteira Numa salinha a fiar

Dei-lhe uma rosa vermelha

Para de mim se encantar.



Eu fui ver aminha amada

Lá nos campos eu fui ver

Dei-lhe uma rosa encarnada

Para de mim se prender.



Verdes prados, verdes

campos

Onde está minha paixão?

As andorinhas não param

Umas voltam outras não.



Minha mãe quando eu morrer

Ai chore por quem muito

amargou

Para então dizer ao mundo

AiDeus mo deu Ai Deus mo

levou.