segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"SÓ, INCESSANTE, UM SOM DE FLAUTA CHORA..." CAMILO PESSANHA!...EXPOENTE MÁXIMO DO SIMBOLISMO...FILHO DE COIMBRA E DO MONDEGO!!!


No dia 7 de Setembro de 1867, nasce em Coimbra Camilo de Almeida Pessanha, filho de um estudante de Direito e de uma tricana.
Em 1891 conclui o curso de Direito na Universidade...boémio das noites coimbrãs!...honra da nossa academia!!!...desiludido com o provincianismo larvante parte para Macau em 1894...e por lá se queda...consumindo regularmente absinto e ópio.
Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro foram grandes admiradores da sua poesia...os seus poemas influenciaram largamente a geração de Orpheu.
Apesar de pequena a sua obra CLEPSIDRA é um dos maiores poetas portugueses!


COIMBRA TEM UMA DIVIDA DE GRATIDÃO PARA COM CAMILO PESSANHA!


AO LONGE OS BARCOS DE FLORES

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra?E os beijos?Tudo a noite fora
Cauta, detém.Só modulada trila
A flauta flébil...Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...

domingo, 2 de agosto de 2009

ZECA AFONSO...UM GRANDE TROVADOR MODERNO...ligando de novo a poesia e a música...GLÓRIA DA ACADEMIA COIMBRÃ!


José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos,nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, na "parte da Cidade voltada para o realismo e para o mar".Filho de um magistrado e de uma directora de escola infantil.Cursou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se formou em Filosofia.



"As noites passavanas em deambulações secretas pela cidade, acompanhado por mais meia dúzia de meliantes da minha idade, amantes inconsequentes da noite.Com uma guitarra e uma viola fazíamos a festa."



"A sua voz está tão cheia de ternura que será irremediávelmente subversiva."



"Por vacação íntima, irmão de Alvaro de Campos".



Faleceu prematuramente a 23 de Fevereiro de 1987.



"Águas das fontes calai

Ò ribeiros chorai

Que eu não volto a cantar."





Cantigas de Maio



Eu fui ver a minha amada

Lá prós baixos de um jardim

Dei-lhe uma rosa encarnada

Para se lembrar de mim.



Eu fui ver o meu benzinho

Lá prós lados de um passal

Dei-lhe o meulençode linho

Que é do mais fino bragal



Eu fui ver uma donzela

Numa barquinha a dormir

Dei-lhe umacolcha de seda

Para nela se cobrir



Eu fui veruma solteira Numa salinha a fiar

Dei-lhe uma rosa vermelha

Para de mim se encantar.



Eu fui ver aminha amada

Lá nos campos eu fui ver

Dei-lhe uma rosa encarnada

Para de mim se prender.



Verdes prados, verdes

campos

Onde está minha paixão?

As andorinhas não param

Umas voltam outras não.



Minha mãe quando eu morrer

Ai chore por quem muito

amargou

Para então dizer ao mundo

AiDeus mo deu Ai Deus mo

levou.


quinta-feira, 16 de julho de 2009

SÃO AS TRICANAS!!!...


"Como tudo o que é de Coimbra - bom e mau - se não parece com mais coisa nenhuma, as tricanas de Coimbra são também elas sós, e, por conseguinte - incomparáveis!
Como andam sempre muito afinadinhas, desde os pés até à cabeça vão-se os olhos para elas, e fica a gente a dizer consigo que nunca viu mulheres assim...Sua chinelinha de biqueira, em que só lhes cabe metade do pé;sua meia branca, ou às riscas, muito esticada;saia de chita, das cores mais claras, deixando ver os tornozelos e acima dos tornozelos duas polegadas de perna;aquele aventalinho muito pequenino, que é mais um chic do que outra coisa;o chambre de chita clara, aberto no peito em decote quadrado;e então o xaile de barras, ou a capoteira, passando por baixo do braço direito, e lançando (com elegância que se não descreve, mas que os estudantes copiaram para as suas capas ) por cima do ombro esquerdo!
Ao algo de tudo isto, uma cara quási sempre bonita, e espirrando sempre vivacidade;e naqueles braços, naquelas pernas, naquele busto, quando gesticulam, quando marcham, quando estão paradas, qualquer coisa que deve ser a própria graça - como só artistas a apreciam!
SÃO AS TRICANAS!"
Trindade Coelho, in illo tempore

A TRICANA É A MULHER DE COIMBRA!...está presente em muita da literatura portuguesa, muitos escritores e poetas descreveram sobre as tricanas nas suas obras, bem como vários fados coimbrões!!!...esta é uma homenagem ás Tricanas...na pessoa das manas Lucinda, Augusta e Carolina Ferreira...que por volta de 1914...assim iam às dominicais missas da Sé Nova!!!

"COIMBRA DOS ESTUDANTES
E DAS TRICANAS BONITAS,
DAS NOITES INEBRIANTES
DA TUA QUEIMA DAS FITAS..."


Ver "José Porfírio - Fado Vitória - You Tube"

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A TAÇA JÁ ERA NOSSA, E MAIS NINGUÉM TEM A 1ª !!!

"São horas de embalar a trouxa
boa noite, Tia Maria
Que a malta ganhava a taça
já toda a gente sabia..."


25 de Junho de 1939

Estádio das Salésias, Lisboa...30.000 adeptos nas bancadas...Capas Negras...esvoaçavam!...

A Briosa alinhou com:

Tibério Antunes Machado Portugal Faustino
Octaviano
Costa Gomes Carneiro Nini Pimenta
treinador - Albano Paulo

...o Benfica adianta-se no marcador!...golo de Rogério!...a malta empata aos 37 minutos por Rogério!...e as capas negras esvoaçam esvoaçam!!!...aos 46 Gomes marca...e é o delirio!...mas logo o Benfica empata!...é então que Carneiro marca o 3 - 2, e bisa...4 - 2!!!...ainda se reduz para 4 - 3...mas já nada nos tirava a taça!!!...a festa...a taça já era nossa!!!...grande recepção em Coimbra...na Câmara...e na sede da Associação Académica!!!...e os jornais!!!

"A ACADÉMICA CAMPEÃO DO IMPÉRIO

Coimbra, desportista e profana está em festa pela vitória alcançada ontem, em Lisboa, pelo seu campeão de futebol - a valorosa turma da Associação Académica.Os estudantes, na própria terra do seu contendor - o não menos valoroso grupo do Sport Lisboa e Benfica - soube anular a desvantagem do ambiente e especialmente a do terreno, e marcou de uma forma superior o seu saber no meio futebolistico português, ganhando com absoluto mérito o título de campeão de Portugal, do dilatado Império.

VIVA a ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA!!...VIVA COIMBRA!!..."


"Ò Briosa, vamos à bola
Não tenhas medo de sujar a camisola
A camisola
E os calções
Ò Briosa vamos ser os campeões
OS CAMPEÕES."

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Crisis? what crisis?

Em Coimbra há só uma!...a de 69... e mais nenhuma?!...

Coimbra triste velhinha
chora sem consolação
ao lembrar-se coitadinha
dos tempos que já lá vão!...

...umas poisam...outras voam!...gaivotas todas se vão...tens os sonhos encalhados...no cais da desilusão!...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

HYLÁRIO...poeta - trovador...mágico da guitarra..."boémio das serenatas alegres e doidejantes"...GLÓRIA da ACADEMIA COIMBRÃ!..."


Augusto Hylário da Costa Alves, nasceu em Viseu em Janeiro de 1864 na Rua Nova...e "exposto na roda desta dita cidade pelas cinco horas da manhã do dia sete do dito mês e ano"
Como fadista e trovador era conhecido pelo país inteiro, em particular na Academia Coimbrã, onde era o "Rei da Alegria", e onde frequentava a Escola Médica da Universidade de Coimbra.
Hylário, poeta-trovador, deu ao fado de Coimbra a forma-base que ainda hoje mantém.
Faleceu, prematuramente, no dia 3 de Abril de 1896, na sua casa da Rua Nova...

"está de luto a mocidade portugueza!"


FADO HYLÁRIO

A minha capa velhinha
É da cor da noite escura,
Nela quero amortalhar-me,
Quando for p'ra sepultura.

A minha capa ondulante
Feita de negro tecido,
Não é capa de estudante
É mortalha de vencido.

Ai!...Eu quero que o meu caixão
Tenha uma forma bizarra,
A forma de um coração,
Ai!...a forma de uma guitarra.

ver (Youtub fado hilario)


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Balada da despedida

Coimbra tem mais encanto
na hora da despedida

Não me tentes enganar
com a tua formosura
que para além do luar
há sempre a noite escura.

Coimbra tem mais encanto
na hora da despedida

E as lágrimas do meu pranto
são a luz que me dão vida.

Coimbra tem mais encanto
na hora da despedida.

Quem me dera estar contente
enganar a minha dor
mas a saudade não mente,
se é verdade no amor.

Fernando Carvalho