sábado, 10 de agosto de 2013

A tomada da Bastilha!!! - à Mn.ª Marta D. ( perdão, Mmª ) - 1.ª parte.

Tomada da Bastilha Faltam pouco mais de cinco minutos para as doze badaladas da Cabra darem inicio a mais uma celebração da Tomada da Bastilha. A tradição de celebrar esta data não se perdeu, mas os acontecimentos que deram origem a esta celebração vão caindo no esquecimento. Assim, cabe deixar aqui a história da Tomada da Bastilha: "No livro "Coimbra de Capa e Batina" de Carminé Nobre vem a seguinte descrição dos acontecimentos:"No rés do chão do edifício, onde se encontra a Associação Académica, estava miseravelmente instalada a Casa dos Estudantes. Duas salas e pouco mais. No primeiro andar, amplo e luxuoso, estava o Clube dos Lentes onde os mestres, instalados em confortáveis sofás, jogavam as aristocráticas partidas de voltarete. Vinham de longe as diligências realizadas pelos estudantes junto da universidade, no sentido de instalar convenientemente a academia universitária.Baldadamente, pois embora se reconhecesse a justiça das reclamações apresentadas, surgiam sempre dificuldades na sua realização.Ansiavam os estudantes da época por uma sede condigna, onde pudessem receber professores, literatos e homens de ciência. Para tanto, desejavam possuir uma biblioteca, uma sala de conferências, de jogos, etc., mas o seu brado, apesar de justo, não encontrou repetidos ecos para lá da Porta Férrea.Resolveram, então, alguns estudantes da época, agir pelos seus próprios meios, e num grupo deles surgiu uma ideia. Uma luminosa ideia, que tempos depois se transformaria numa realidade para prestígio da Briosa: tomar de assalto o Clube dos Lentes e instalar nas suas salas, a sede da Associação Académica de Coimbra, dando assim realização a uma velha aspiração da Academia.Eram quarenta os conjurados, que cegamente obedeciam ao comité central, constituído pelos estudantes Fernandes Martins, Paulo Evaristo Alves (Padre Paulo) de Direito, Pompeu Cardoso, Augusto da Fonseca (o Passarinho) e João Rocha de Medicina.Em sucessivas reuniões, o comité central foi afinando o plano de assalto. Uma delas realizou-se na Torre de Anto onde a nostalgia de António Nobre pairava ainda em fortes traços de lirismo. Além do comité central, havia os chefes de grupo de inteira confiança, os quais por sua vez, recrutariam os elementos sobre que agiriam directamente.Uma noite, à luz mortiça de um lampião de azeite, velha relíquia de antigas gerações, o comité central deliberou, definitivamente, fazer o assalto no primeiro dia de Dezembro, comemorando o feito histórico de igual data, em 1640. Porém, um dia depois chegou ao conhecimento do comité a notícia, fundamentada ou não, de que a Reitoria apesar de todo o sigilo havido nas diligências já realizadas, tinha conhecimento do que pretendia fazer-se, e procurava evitá-lo, inclusivamente auxiliada pela intervenção da força pública.Uma reunião de urgência levou o comité revolucionário a precaver-se contra qualquer surpresa da Universidade e, assim, deliberou antecipar o movimento e marcar a sua realização para a madrugada de 25 de Novembro. Chegou a noite. O bairro latino afogava-se em penumbras. Numa casa antiga e em volta de uma mesa escalavrada, reuniu pela última vez o comité. Nessa noite, o Clube dos Lentes deixaria de existir na casa da Rua Larga. Por volta das onze horas estavam as forças reunidas e é curioso notar que os conjurados não conheciam o comité central. Todos os juramentos de fidelidade à causa eram feitos ao chefe de grupo, que, por sua vez, os transmitiam. Sobre a madrugada, frigidíssima e chuvosa, foi escalonado um grupo para assaltar a Torre da Universidade e repicar os sinos festivamente, logo que um morteiro lhe anunciasse que o Clube dos Lentes estava nas mãos da Velha Briosa.Ao partir, receberam as chaves falsas que lhes abriam a porta da Torre. A chuva caía em bátegas, e como se receasse o êxito desta diligência, que tinha de principiar pelo escalamento da Porta de Minerva, logo Augusto Fonseca, tranquilo e sorridente, destrui essa preocupação, afirmando: "a Torre é connosco". Vem a propósito dizer, que a agitação política daquela época, estendia a sua paixão até aos espíritos mais humildes. E foi certamente por isso, que o serralheiro Alfredo Garoto, com oficina na rua das Covas, ao ser peitado em confidência para fazer as chaves falsas, se apercebeu de que alguma coisa de muito sério se ia passar. E nesta convicção, interrogou em meia voz:-É contra os talassas? Se é, faço tudo de graça.Não foi contra os talassas, mas as chaves ainda hoje estão em dívida.Às 6 e 45 da manhã, a explosão de um morteiro sobressaltou a cidade e os estudantes que se encontravam na Torre ficaram assegurados que o assalto estava consumado.Repicaram os sinos e logo uma girândola de 101 tiros, lançada das varandas do antigo Clube dos Lentes, tornado naquele momento Associação Académica de Coimbra, chamou a Academia à realidade da conquista.Acorreram os estudantes de todos os lados da cidade. Nas primeiras impressões Coimbra julgou tratar-se de um movimento político.O dia 25 foi de festa rija para a Academia. Ao rasar da noite, partiu da Alta com destino à Baixa - a via sacra do estudante - uma marcha luminosa (hoje recordada como o cortejo dos archotes) com milhares de pessoas, pois a cidade associou-se ao regozijo à Briosa. E quando outra madrugada rompeu ainda no bairro latino se ouvia o grito heróico da conquista:- Viva a Academia!Era ao tempo Presidente da República, o grande tribuna e eminente cidadão Dr. António José de Almeida, Presidente do Concelho Dr. Álvaro de Castro, e Ministro da Instrução Dr. Júlio Dantes, a quem a Academia enviou a comunicação telegráfica de que se encontrava instalada na sua nova sede, manifestando também, o seu mais ardente desejo na constante prosperidade de Portugal. Estas três individualidades, desconhecendo o que se passava e julgando, possivelmente que a Academia de Coimbra se instalara pacificamente e com conhecimento da Universidade na sua nova sede, responderam aos cumprimentos recebidos, retribuindo calorosamente e desejando todas as felicidades à esperançosa Academia de Coimbra: "A irreverência foi completa." `A Mmª Marta D., pela agradável e sã companhia por essa Europa fora...!!!...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Boémia Velha/Boémia Nova, Insubmissos, e Chanfana à moda de Coimbra.



"Preside o neto da rainha Ginga


À corja vil, aduladora, insana.

Traz sujo moço amostras de chanfana,

Em copos desiguais se esgota a pinga.



Vem pão, manteiga e chá, tudo à catinga;

Masca farinha a turba americana;

E o oragotango a corda à banza abana,

Com gesto e visagens de mandinga.



Um bando de comparsas logo acode

Do fofo Conde ao novo Talaveiras;

Improvisa berrando o rouco bode.



Aplaudem de contínuo as frioleiras

Belmiro em ditirambo, o ex-frade em ode.

Eis aqui de Lereno as quartas-feiras."
                                                         Bocage





Chanfana à Moda de Coimbra





Ingredientes:



1,5 kg Carne de Cabra velha

0.75 dl de vinho tinto

6 cabeças de alho

louro q.b.

piri-piri q.b.

sal a gosto

pimenta preta q.b.

2 colheres de sopa de banha de porco

Confecção:



De véspera limpa-se e corta-se a carne de cabra, coloca-se o vinho, o alho com cascas e socado, o louro, o piri-piri, o sal e a pimenta e reserva-se de um dia para o outro.

Coloca-se na panela de pressão juntamente com a banha durante 1:30h a 2:00h, depois coloca-se numa panela de barro ou inox (se não houver de barro) e deixa-se apurar até servir. Acompanha-se com grelos ou outro legume verde cozido e batatas cozidas ou fritas.

 CONFRARIAS DE PETISCOS

Ouvimos todos os dias

Falarem nas Confrarias

De petiscos, não de migas…

Confrarias, caçarolas

Que dantes eram esmolas,

Confortam hoje as barrigas

As vestes são de espavento

Lembram, frades do Convento,

Tão vestidos a rigor.

Eu não sei, mas, com certeza

Há procissão para à mesa

E vai o Senhor Prior.

Vila Nova de Poiares,

Com aqueles seus bons ares,

Proclama que é rainha

Da Chanfana cá da Beira.

E Góis Princesa do Ceira,

Das trutas ou da sardinha?...

A Pampilhosa da Serra,

Sem fazer nenhuma guerra,

Chamou a si o maranho;

Iguaria de carneiro,

Ou galo do “capoeiro”

Sendo de arroz o amanho

Arganil o seu produto,

De que já tem estatuto,

Eu vos direi: é de luxo!

Pois nessa vila beiroa,

P’ra ser comido com broa

A Confraria é do bucho.

E Góis fica-se a olhar,

De boca aberta a pensar:

Sem uma ideia na mesa?

Oh gente, há tanta iguaria,

Façam já a Confraria

Do cozido à Portuguesa!
                                      Clarisse B. Sanches


Ai esta "Cabra" ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se na real chanfana de Portugal!...

















sexta-feira, 29 de março de 2013

Casa de Caloteiros e Ladrões - O Entremês de Jacobino - ao GEFAC - Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra.


Era un sobrinhu i un tiu; furun l´s dous a caça; indo ls dous a caça al sobrinhu lápareçionosso Sinhore; i dixu:-Que don quies que te deia?.- Adonde you atiri, qu(e) tod(o) mate, i cuan(do)you toca la mie flauta, qu(e) tod(o) dance b.Tirou un tiru, todo...siempre, siempre mataba; atiraba outro, a outro paixaru, mataba-l´tambie

terça-feira, 20 de novembro de 2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

sábado, 28 de julho de 2012

POETA."Gritos de Cristal e de oiro que o Bettencourt alto erguia que é da roda que algum dia vos havia de acompanhar."

EDMUNDO DE BETTENCOURT

Edmundo de Bettencourt é considerado por todos os amadores e especialistas de Fado de Coimbra como o maior de todos os estilistas e cantores do género. Madeirense do Funchal, onde nasceu em 1899, fez parte da chamada "Década d'0iro". Mas a sua influência não ficou por aí, dado que Bettencourt foi igualmente escritor e poeta de grande importância; foi em 1927 um dos fundadores da mítica revista literária Presença, cujo elenco abandonaria em 1930. Contudo foi a música que o popularizou, de tal modo que mesmo gerações posteriores o aclamaram; José Afonso, cujo pai fora contemporâneo de Bettencourt, considerava-o o "maior cantor de fados de todos os tempos". Parece hoje claro que, para a qualidade artística de Edmundo Bettencourt, muito contribuiu o facto de ter sido acompanhado à guitarra por Artur Paredes. A história diz-nos dele ter sido menos boémio do que os seus colegas estudantes, mas também um pioneiro no aproveitamento de canções e elementos musicais tradicionais de outras zonas do país. A sua influência estendeu-se ao longo dos anos e não são poucos os cantores de Coimbra que a assumem. Edmundo de Bettencourt não gravou tanto como António Menano (conhecem lhe apenas oito discos com dezasseis gravações) mas entre elas estão faixas tão lendárias como Saudades de Coimbra (mais conhecida pelo seu verso "Do Choupal até à Lapa") ou Samaritana. Faleceu em 1973. "Saudades de Coimbra" Oh Coimbra do Mondego E dos amores que eu lá tive Quem te não viu anda cego Quem te não ama não vive Do Choupal até à Lapa Foi Coimbra os meus amores A sombra da minha capa Deu no chão abriu em Flores “Sugestão” Entro na Igreja majestosa e calma, Erro na sombra sob as arcarias Anda no ar silêncio, e a minha alma Toma a frieza das colunas frias Numa capela triste aonde espalma, Doirado ilustre, chamas fugidias, Tocam-me o peito as setas duma palma A evocar-me de Cristo em agonias Começa o som do órgão, morno, errante, E o aroma do incenso penetrante Como as garras aduncas do tormento E o já desejo acre de esquecer, De o longe e o mundo eu só escutar e ver, No coração me nasce brando e lento



"Saudades de Coimbra"






Oh Coimbra do Mondego

E dos amores que eu lá tive

Quem te não viu anda cego

Quem te não ama não vive



Do Choupal até à Lapa

Foi Coimbra os meus amores

A sombra da minha capa

Deu no chão abriu em Flores

“Sugestão”




Entro na Igreja majestosa e calma,

Erro na sombra sob as arcarias

Anda no ar silêncio, e a minha alma

Toma a frieza das colunas frias

Numa capela triste aonde espalma,

Doirado ilustre, chamas fugidias,

Tocam-me o peito as setas duma palma

A evocar-me de Cristo em agonias

Começa o som do órgão, morno, errante,

E o aroma do incenso penetrante

Como as garras aduncas do tormento

E o já desejo acre de esquecer,

De o longe e o mundo eu só escutar e ver,

No coração me nasce brando e lento