quinta-feira, 16 de maio de 2013
Boémia Velha/Boémia Nova, Insubmissos, e Chanfana à moda de Coimbra.
"Preside o neto da rainha Ginga
À corja vil, aduladora, insana.
Traz sujo moço amostras de chanfana,
Em copos desiguais se esgota a pinga.
Vem pão, manteiga e chá, tudo à catinga;
Masca farinha a turba americana;
E o oragotango a corda à banza abana,
Com gesto e visagens de mandinga.
Um bando de comparsas logo acode
Do fofo Conde ao novo Talaveiras;
Improvisa berrando o rouco bode.
Aplaudem de contínuo as frioleiras
Belmiro em ditirambo, o ex-frade em ode.
Eis aqui de Lereno as quartas-feiras."
Bocage
Chanfana à Moda de Coimbra
Ingredientes:
1,5 kg Carne de Cabra velha
0.75 dl de vinho tinto
6 cabeças de alho
louro q.b.
piri-piri q.b.
sal a gosto
pimenta preta q.b.
2 colheres de sopa de banha de porco
Confecção:
De véspera limpa-se e corta-se a carne de cabra, coloca-se o vinho, o alho com cascas e socado, o louro, o piri-piri, o sal e a pimenta e reserva-se de um dia para o outro.
Coloca-se na panela de pressão juntamente com a banha durante 1:30h a 2:00h, depois coloca-se numa panela de barro ou inox (se não houver de barro) e deixa-se apurar até servir. Acompanha-se com grelos ou outro legume verde cozido e batatas cozidas ou fritas.
CONFRARIAS DE PETISCOS
Ouvimos todos os dias
Falarem nas Confrarias
De petiscos, não de migas…
Confrarias, caçarolas
Que dantes eram esmolas,
Confortam hoje as barrigas
As vestes são de espavento
Lembram, frades do Convento,
Tão vestidos a rigor.
Eu não sei, mas, com certeza
Há procissão para à mesa
E vai o Senhor Prior.
Vila Nova de Poiares,
Com aqueles seus bons ares,
Proclama que é rainha
Da Chanfana cá da Beira.
E Góis Princesa do Ceira,
Das trutas ou da sardinha?...
A Pampilhosa da Serra,
Sem fazer nenhuma guerra,
Chamou a si o maranho;
Iguaria de carneiro,
Ou galo do “capoeiro”
Sendo de arroz o amanho
Arganil o seu produto,
De que já tem estatuto,
Eu vos direi: é de luxo!
Pois nessa vila beiroa,
P’ra ser comido com broa
A Confraria é do bucho.
E Góis fica-se a olhar,
De boca aberta a pensar:
Sem uma ideia na mesa?
Oh gente, há tanta iguaria,
Façam já a Confraria
Do cozido à Portuguesa!
Clarisse B. Sanches
Ai esta "Cabra" ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se na real chanfana de Portugal!...
sexta-feira, 29 de março de 2013
Casa de Caloteiros e Ladrões - O Entremês de Jacobino - ao GEFAC - Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra.
Era un sobrinhu i un tiu; furun l´s dous a caça; indo ls dous a caça al sobrinhu lápareçionosso Sinhore; i dixu:-Que don quies que te deia?.- Adonde you atiri, qu(e) tod(o) mate, i cuan(do)you toca la mie flauta, qu(e) tod(o) dance b.Tirou un tiru, todo...siempre, siempre mataba; atiraba outro, a outro paixaru, mataba-l´tambie
terça-feira, 20 de novembro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
POETA."Gritos de Cristal e de oiro que o Bettencourt alto erguia que é da roda que algum dia vos havia de acompanhar."
EDMUNDO DE BETTENCOURT
Edmundo de Bettencourt é considerado por todos os amadores e especialistas de Fado de Coimbra como o maior de todos os estilistas e cantores do género. Madeirense do Funchal, onde nasceu em 1899, fez parte da chamada "Década d'0iro". Mas a sua influência não ficou por aí, dado que Bettencourt foi igualmente escritor e poeta de grande importância; foi em 1927 um dos fundadores da mítica revista literária Presença, cujo elenco abandonaria em 1930. Contudo foi a música que o popularizou, de tal modo que mesmo gerações posteriores o aclamaram; José Afonso, cujo pai fora contemporâneo de Bettencourt, considerava-o o "maior cantor de fados de todos os tempos". Parece hoje claro que, para a qualidade artística de Edmundo Bettencourt, muito contribuiu o facto de ter sido acompanhado à guitarra por Artur Paredes. A história diz-nos dele ter sido menos boémio do que os seus colegas estudantes, mas também um pioneiro no aproveitamento de canções e elementos musicais tradicionais de outras zonas do país. A sua influência estendeu-se ao longo dos anos e não são poucos os cantores de Coimbra que a assumem. Edmundo de Bettencourt não gravou tanto como António Menano (conhecem lhe apenas oito discos com dezasseis gravações) mas entre elas estão faixas tão lendárias como Saudades de Coimbra (mais conhecida pelo seu verso "Do Choupal até à Lapa") ou Samaritana. Faleceu em 1973. "Saudades de Coimbra" Oh Coimbra do Mondego E dos amores que eu lá tive Quem te não viu anda cego Quem te não ama não vive Do Choupal até à Lapa Foi Coimbra os meus amores A sombra da minha capa Deu no chão abriu em Flores “Sugestão” Entro na Igreja majestosa e calma, Erro na sombra sob as arcarias Anda no ar silêncio, e a minha alma Toma a frieza das colunas frias Numa capela triste aonde espalma, Doirado ilustre, chamas fugidias, Tocam-me o peito as setas duma palma A evocar-me de Cristo em agonias Começa o som do órgão, morno, errante, E o aroma do incenso penetrante Como as garras aduncas do tormento E o já desejo acre de esquecer, De o longe e o mundo eu só escutar e ver, No coração me nasce brando e lento
"Saudades de Coimbra"
Oh Coimbra do Mondego
E dos amores que eu lá tive
Quem te não viu anda cego
Quem te não ama não vive
Do Choupal até à Lapa
Foi Coimbra os meus amores
A sombra da minha capa
Deu no chão abriu em Flores
“Sugestão”
Entro na Igreja majestosa e calma,
Erro na sombra sob as arcarias
Anda no ar silêncio, e a minha alma
Toma a frieza das colunas frias
Numa capela triste aonde espalma,
Doirado ilustre, chamas fugidias,
Tocam-me o peito as setas duma palma
A evocar-me de Cristo em agonias
Começa o som do órgão, morno, errante,
E o aroma do incenso penetrante
Como as garras aduncas do tormento
E o já desejo acre de esquecer,
De o longe e o mundo eu só escutar e ver,
No coração me nasce brando e lento
quinta-feira, 31 de maio de 2012
M.R.I.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Luís de Camões
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Parabéns, Zé!, vem cá outra vez!...se possivel com o Adriano e o outro Zé, para pôr a Academia de Pé!!!...
José Mário Branco (Porto, 25 de Maio de 1942) é um músico e compositor (cf. cantautor) português. cresceu no Porto e iniciou o curso de História, na Universidade de Coimbra, não o terminando.
EU VIM DE LONGE, EU VOU P’RA LONGE (CHULINHA)
Letra e música de José Mário Branco.
1.
Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de Maio começou
Eu olhei p’ra ti
E então eu entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou
Refrão
Eu vim de longe, de muito longe
O que eu andei p’raqui chegar
Eu vou p’ra longe, p’ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com que temos p’ra nos dar
E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos que cantei
Foram frutos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
Refrão
2.
Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei p’ra ti
E então eu entendi
Foi um indo sonho que acabou
Houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi p’ra esta força que apontou
Refrão
E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções
Refrão
3.
Quando finalmente eu quis saber
Se inda vale a pena tanto q’rer
Eu olhei p’ra ti
E então eu entendi
É um lindo sonho p’ra viver
Quando toda a gente assim quiser
Tenho esta viola numa mão
Tenho minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel p’ró ajudar
Refrão
E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar à solta
Que já não hesito
E os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer
Refrão (final)
Eu sei que tu não és destas coisas!...desculpa lá qualquer coisinha!!!
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