sábado, 19 de maio de 2012
VERA...cidade!!!...«Morre jovem o que os Deuses amam»...«Quem di diligunt adulescens moritur).»MODERNIDADE, FUTURISMO!!!...MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO!...A Academia precisa de ti!!!
Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.
FIM - MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
Mário de Sá Carneiro
A TAÇA JÁ ERA NOSSA, E MAIS NINGUÉM TEM A 1ª !!!
"São horas de embalar a trouxa
boa noite, Tia Maria
Que a malta ganhava a taça
já toda a gente sabia..."
VIVA A BRIOSA!!!...Á EXM.ª DR.ª VERA.
domingo, 4 de março de 2012
NEW LOOK!!!...Coimbra!...Conhecimento e Glamour!...à Veneranda Mestre M.M.V....Eugénio de Castro!Thanks.

Eugénio de Castro e Almeida (Coimbra, 4 de março de 1869 — 17 de agosto de 1944) foi um escritor português.
Por volta de 1889 formou-se em Letras pela Universidade de Coimbra e mais tarde veio a lecionar nessa faculdade. Funda a revista "Os Insubmissos" com João Menezes e Francisco Bastos ainda nos últimos anos da sua licenciatura, mais propriamente em 1889. Colaborou com a resvista que fundou e com a revista "Boémia nova", ambas seguidoras do Simbolismo Francês. Em 1890 entrou para a história da literatura portuguesa com o lançamento do livro de poemas "Oaristos", marco inicial do Simbolismo em Portugal.
A obra de Eugénio de Castro pode ser dividida em duas fases: na primeira, a fase simbolista, que corresponde a sua produção poética até o fim do século XIX, Eugénio de Castro apresenta algumas características da Escola Simbolista, como o uso de rimas novas e raras, novas métricas, sinestesias, aliterações e vocabulário mais rico e musical.
Na segunda fase ou neoclássica, que corresponde aos poemas escritos já no século XX, vemos um poeta voltado à Antiguidade Clássica e ao passado português, revelando um certo saudosismo, característico das primeiras décadas do século XX em Portugal.
OARISTOSOARISTOS
I
Triunfal, teatral, vesperalmente rubro,
Na diáfana paz dum poente de Outubro,
O sol, esfarrapando o incenso dos espaços,
Caminha para a morte em demorados passos,
Como as bandas que vão a tocar nos enterros...
E surgindo detrás de acuminantes serros,
Melancolicamente a lua de mãos belas,
Tecedeira do azul, tece num tear de estrelas,
Um lenço branco, um lenço alvíssimo e brilhante,
Para acenar com ele ao sol, seu ruivo amante...
Sobre o verde jardim caem penumbras lentas.
Em seus vasos de louça, as flores sonolentas
São berços embalando o dormir dos insectos;
A alma dum arroio, entre avencas e fetos,
Suspirosa, murmura em cascavéis de prata;
Velha Níobe, chora ao longe uma cascata;
Esplendem girassóis como fulvas custódias;
Passam no éter brando as pastorais monódias;
E à flor dum lago, onde o sol cai em flavos feixes
E onde passam legiões de escarlatinos peixes,
À flor dum lago azul, circundado de buxo,
Simbólico, real, levanta-se um repuxo,
Como uma grande flor de cristal a cantar!
Foi numa hora assim, mansa, crepuscular,
Que ao longo desta longa e folhosa alameda,
Altiva, imperial, entre um rugir de seda,
Vi pela vez primeira a Eleita de minh'alma,
A grande Flor subtil, inigualável, alma,
A Maior, a mais Bela, a mais Amada, a Única!
Vinha gloriosa e triste, envolta em negra túnica,
Que no chão se rojava em ondulantes dobras,
Tinha no calmo andar a elegância das cobras,
A leveza dum silfo e a graça duma ânfora,
E, assim como num golpe um alvo pó de cânfora,
O seu olhar fazia doer, olhar profundo.
Eu era nesse tempo um grande vagabundo,
Um precoce infeliz, viúvo de ilusões;
O sinistro fragor das mundanas paixões
Não chegava de há muito a meus ouvidos lassos;
O egoísmo, o grande rei, cingira-me em seus braços;
De ninguém tinha dó, de ninguém tinha inveja...
Contemplando de longe a sórdida peleja,
Esta infrene peleja, a que chamamos vida,
Seguia, alheio a tudo e de cabeça erguida,
Tendo um único irmão: o meu gelado orgulho.
A Dúvida, funesto, ardente sol de Julho,
Queimara, rudemente, a flor da minha crença;
Em meu peito reinava a fria indiferença;
Tinha descarrilado o vagão dos meus sonhos;
Meus dias eram maus, longuíssimos, tristonhos,
Ensopados de névoa e de melancolia...
Mas ao vê-lA surgir triunfalmente fria,
Grácil como uma flor, triste como um gemido,
Meu peito recobrou o seu vigor perdido,
Todo eu era contente e alegre como um rei!
E, cheio de surpresa, abismado, fiquei
A olhar o seu perfil e o garbo do seu colo,
Cheio de admiração, como um homem do pólo
Quando, depois de ter suportado os reveses
Duma noite cruel e fria de seis meses,
Iluminando enfim os tenebrosos trilhos,
Vê surgir, entre a neve, o sol com ruivos brilhos!
O céu fulgia como a cauda dum pavão.
Aos seus cabelos reais prendiam-se no chão,
Triste e amorosamente, as pálidas folhagens,
Enquanto os olhos meus seguiam como pajens,
O seu rítmico andar sonâmbulo e moroso...
Assim me apareceu o Lírio tenebroso,
Cujo ar desprezador me fere e vampiriza,
Criatura esfingial, triste como Artemisa,
Vingativa, feroz e linda como Fásis,
Flor cujo corpo é o aprilino oásis,
O caravansará que, por noites insanas,
Vão demandando embalde as longas caravanas,
As caravanas dos meus nómades desejos...
Assim eu vi brilhar seus olhos malfazejos,
Assim me deslumbrou a graça do seu busto!
Hoje venho cantar em verso nobre e augusto
Seus álgidos desdéns, tão frios como um túmulo,
E seu corpo que é a quinta-essência, o cúmulo
Da esbeltez, do frescor, da graça feminina.
– Flor bizarra, que eu vi à hora vespertina,
Flor marcescente, que eu constantemente sigo,
Flor, que olho sem cessar, como um estilita antigo,
Olhando o flavo sol, de pé, numa coluna,
Flor de trigueiras mãos, de cabeleira bruna,
Em teu regaço ponho este livro a ti feito.
Este livro febril, que delira e que mostra
Um desvairado amor agarrado ao meu peito,
Rara pérola azul agarrada a uma ostra!
II
Em verso vou cantar o meu Diamante preto!
Do mais grácil, estranho e bizantino aspecto,
Flexível corno um junco e esbelto como um fuso,
Seu núbil corpo tem, num dualismo confuso,
A finura do lírio e o garbo das serpentes;
Soberba e esguia, com seus passos indolentes,
Quando caminha. lembra uma túlipa a andar;
Lenta e subtil, parece até que vai no ar,
Como um caule de flor, levada pela aragem;
Basta vê-lA uma vez para que a sua imagem
Leve, tão leve como os perfumes e o som,
Fique vibrando em nós, eternamente, com
A doçura sem par duma voz que se extingue...
Franzino e original, o seu corpo é um moringue
Em cujo colo estreito alguém tivesse posto
Um moreno botão de rosa-chã, – seu rosto,
Grácil botão que exala uma essência secreta,
Botão onde pousou nocturna borboleta
Com asas negras, muito negras, – seus bandós.
Sua desfalecida e liquescente voz,
Dorida como um ai e lassa como um canto,
Sua lânguida voz, maravilhoso encanto,
De que Ela tem o amavioso monopólio,
E um fio de veludo, um suavíssimo óleo:
Suave, a sua voz suave se derrama...
Seu hálito infantil endoidece e embalsama,
Subtil como o ananás, forte como um veneno.
Seu pescoço sem par é um cortiço moreno,
Que os meus desejos vão circundando em colmeia.
Tem música no andar, quando à tarde passeia
Do seu alto balcão nos marmóreos losangos.
A sua boca é um sorvete de morangos.
Seu magro busto oval brilha, como um santelmo,
Sob o seu penteado, esse ebânico elmo
Pesado e nocturnal, com reflexos azuis.
Seu gesto excede em graça as larvas dos paúis,
Que em curvos voos vão voando à flor dos pântanos.
Tem as unhas de opala; o seu riso quebranta-nos;
Vibrante de coral, seus cílios são de seda;
Seu capitoso olhar é um vinho que embebeda;
Seus negros olhos são duas amoras negras!
Original, detesta as convenções e as regras;
Ama o luxo, o requinte e a excentricidade,
Faz tudo o que lhe apraz, impõe sua vontade,
Diz o que sente, sem lisonja, sem disfarce.
Cousa que muito poucos têm, sabe domar-se:
Como é medrosa, a fim de ver se perde o medo,
Às quietas horas do Mistério e do Segredo,
Percorre longos, funerários corredores,
Onde pairam, chorando as suas fundas dores,
Fantasmas glaciais, errantes e protervos!
Nervosa, com o fim de subjugar seus nervos,
Corta as unhas em bico, à guisa de punhais.
– Chega mesmo a morder pedaços de veludo!
Detesta o movimento, as expansões e tudo
O que possa alterar o seu viver inerte;
Não costuma sair; sonha; não se diverte;
Seus raros gestos são cheios de bizarria,
Finos, excepcionais, sem par.
Pedi-lhe um dia
Que me dissesse qual é o sonho singular,
O sonho que Ela mais quisera realizar,
Aquilo que Ela mais desejaria ter,
Ao que Ela respondeu:
– «Desejaria viver
«No pólo norte, numa estufa de cristal!»
Odeia a luz: ama a penumbra vesperal...
Odeia o piano: adora o som lento do órgão...
E suas finas mãos que bem raro me outorgam
A permissão de as oscular, suas mãos finas,
As suas mãos arquiducais, longas, divinas,
Não sustiveram nunca o peso duma agulha.
Ama os perfumes e as visões; odeia a bulha;
Seu corpo estonteante e lânguido que exala
Doces e sensuais aromas de Sofala,
Do Cairo, do Japão, do Iémen e da Pérsia,
Seu corpo sensual foi feito para a inércia:
– Até para falar às vezes tem preguiça!
Tal é a fria Flor taciturna, insubmissa,
Cujos olhos astrais cortam como estiletes,
Tal é a bem Amada impassível, trigueira,
Cujos olhos astrais – agudos alfinetes,
Ferem meu coração – dorida pregadeira!
XI
Um sonho.
Na messe, que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, o celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves.
Flor! enquanto na messe estremece a quermesse
E o sol, o celestial girassol esmorece,
Deixemos estes sons tão serenos e amenos,
Fujamos, Flor! à flor destes floridos fenos...
Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Como aqui se está bem! Além freme a quermesse...
– Não sentes um gemer dolente que esmorece?
São os amantes delirantes que em amenos
Beijos se beijam, Flor! à flor dos frescos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítólas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...
Esmaiece na messe o rumor da quermesse...
– Não ouves este ai que esmaiece e esmorece?
É um noivo a quem fugiu a Flor de olhos amenos,
E chora a sua morta, absorto, à flor dos fenos...
Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Penumbra de veludo. Esmorece a quermesse...
Sob o meu braço lasso o meu Lírio esmorece...
Beijo-lhe os boreais belos lábios amenos,
Beijo que freme e foge à flor dos flóreos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...
Teus lábios de cinábrio, entreabre-os! Da quermesse
O rumor amolece, esmaiece, esmorece...
Dá-me que eu beije os teus' morenos e amenos
Peitos! Rolemos, Flor! à flor dos flóreos fenos...
Soam vesperais as Vêsperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Ah! não resistas mais a meus ais! Da quermesse
O atroador clangor, o rumor esmorece...
Rolemos, b morena! em contactos amenos!
– Vibram três tiros à florida flor dos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Citolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...
Três da manhã. Desperto incerto... E essa quermesse?
E a Flor que sonho? e o sonho? Ah! tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora, à flor dos flóreos fenos...
XII
Saúde e Ouro e Luxo! A Primavera
Interminável! Viagens! Dias lentos!
Inércia e Ouro! O nome aos quatro ventos!
Noites mornas de amor! Tal a Quimera!
A Sombra! A falta de Ouro que exaspera
E da mulher os falsos juramentos!
Correr mapas! Bocejos sonolentos!
Assim a Vida corre e nos lacera!
Sonhamos sempre um sonho vago e dúbio!
Com o. Azar vivemos em conúbio,
E apesar disso, a ALMA continua
A sonhar a Ventura! – Sonho vão!
Tal um menino, com a rósea mão,
Quer agarrar a levantina LUA!
domingo, 12 de fevereiro de 2012
ELUCIDÁRIO, de Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo!!!...à Veneranda Mestre, Santa Rosa da Covilhã.


VITERBO, Joaquim de Santa Rosa de, O.F.M. 1744-1822,
Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram : obra indispensável para entender sem erro os documentos mais raros e preciosos que entre nós se conservam / Publicado em Beneficio da Litheratura Portugueza Por Fr. Joaquim de Santa Rosa Viterbo. .... - 1ª ed. revista, correcta e copiosamente addicionada de novos vocábulos, observações e notas críticas com um índice remissivo.Coimbra, em 1815, impresso na imprensa da Universidade, com o título de: Diccionario portatil das palavras, termos e phrazes, que em Portugal antigamente se usaram, e que hoje regularmente se ignoram: resumido, correcto e addicionado pelo mesmo autor do Elucidario, a beneficio da litteratura portugueza.
Rosa sem Espinhos Para todos tens carinhos,
A ninguém mostras rigor!
Que rosa és tu sem espinhos?
Ai, que não te entendo, flor!
Se a borboleta vaidosa
A desdém te vai beijar,
O mais que lhe fazes, rosa,
É sorrir e é corar.
E quando a sonsa da abelha,
Tão modesta em seu zumbir,
Te diz: «Ó rosa vermelha,
» Bem me podes acudir:
» Deixa do cálix divino
» Uma gota só libar...
» Deixa, é néctar peregrino,
» Mel que eu não sei fabricar ...»
Tu de lástima rendida,
De maldita compaixão,
Tu à súplica atrevida
Sabes tu dizer que não?
Tanta lástima e carinhos,
Tanto dó, nenhum rigor!
És rosa e não tens espinhos!
Ai !, que não te entendo, flor.
Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'
Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo (Gradiz, Guarda, 13 de Maio de 1744 – Santo Cristo da Fraga, Sátão, Viseu, 13 de Fevereiro de 1822), foi um historiador português, e religioso franciscano. A sua maior obra é Elucidário, publicada em 1798.
(Bárbara!...o que é prometido ...é devido!)
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
"Por não ter outros melhores, este meu livro ofereço, ao maior entre os maiores, Poetas que eu conheço" TORGA versus Aleixo!


Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, (São Martinho de Anta, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995) foi um dos mais importantes poetas e escritores portugueses do século XX. Destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
LA LÁMPARA MARINA..."Há homens que lutam um dia, e são bons!...porém há os que lutam toda a vida,estes são os imprescindíveis!"B.Brecht.


Nasce em Coimbra a 10 de Novembro de 1913.
La Lámpara Marina
Pablo Neruda
I
El Puerto
Color de cielo
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
II
La Cítara
Olvidada
Oh Portugal hermoso
cesta de fruta y flores,
emerges
en la orilla plateada del océano,
en la espuma de Europa,
con la cítara de oro
que te dejó Camoens,
cantando con dulzura,
esparciendo en las bocas del Atlántico
tu tempestuoso olor de vinerías,
de azahares marinos,
tu luminosa luna entrecortada
por nubes y tormentas.
III
Los presidios
Pero,
portugués de la calle,
entre nosotros,
nadie nos escucha,
sabes
dónde
está Álvaro Cunhal?
Reconoces la ausencia
del valiente
Militão?
Muchacha portuguesa,
pasas como bailando
por las calles
rosadas de Lisboa,
pero,
sabes dónde cayó Bento Gonçalves,
el portugués más puro,
el honor de tu mar e de tu arena?
Sabes
que existe
una isla,
la isla de la Sal,
y Tarrafal en ella
vierte sombra?
Sí, lo sabes, muchacha,
muchacho, sí, lo sabes.
En silencio
la palabra
anda con lentitud pero recorre
no sólo el Portugal, sino la tierra.
Sí, sabemos,
en remotos países,
que hace treinta años
una lápida
espesa como tumba o como túnica
de clerical murciélago,
ahoga, Portugal, tu triste trino,
salpica tu dulzura
con gotas de martirio
y mantiene sus cúpulas de sombra.
IV
El Mar
Y Los Jazmines
De tu mano pequeña en otra hora
salieron criaturas
desgranadas
en el asombro de la geografia.
Así volvió Camoens
a dejarte una rama de jazmines
que siguió floreciendo.
La inteligencia ardió como una viña
de transparentes uvas
en tu raza.
Guerra Junqueiro entre las olas
dejó caer su trueno
de libertad bravía
que transportó el océano en su canto,
y otros multiplicaron
tu esplendor de rosales y racimos
como si de tu territorio estrecho
salieran grandes manos
derramando semillas
para toda la tierra.
Sin embargo,
el tiempo te ha enterrado.
El polvo clerical
acumulado en Coimbra
cayó en tu rostro
de naranja oceánica
y cubrió el esplendor de tu cintura.
V
La Lámpara
Marina
Portugal,
vuelve al mar, a tus navíos,
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.
Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas de Océano.
Portugal, navegante,
descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
las islas asombradas,
descubre el archipélago en el tiempo.
La súbita
aparición
del pan
sobre la mesa,
la aurora,
tú, descúbrela,
descubridor de auroras.
Cómo es esto?
Cómo puedes negarte
al ciclo de la luz tú que mostraste
caminos a los ciegos?
Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?
Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.
Rompe
las telaranãs
que cubren tu fragrante arboladura,
y entonces
a nosotros los hijos de tus hijos,
aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstranos que tú puedes
atravesar de nuevo
el nuevo mar oscuro
y descubrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.
Navega, Portugal, la hora
llégó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.
En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:
aprenderás de nuevo a ser estrella.
"ATÉ AMANHÃ, CAMARADAS!"...
segunda-feira, 4 de julho de 2011
São rosas, Fátima!...são rosas...
O Discurso sobre a vida e morte de
Santa Isabel rainha de Portugal
de Vasco Mouzinho de Castelbranco.

Isabel escolhi por mais conforme
A este tempo da ímpia Isabela,
Para que sua vida tão enorme
Se confunda com esta vida bela,
E com exemplo seu esta reforme
Quanto com mau exemplo estraga aquela,
Qual ferido da rábida serpente
Olhando a do metal remédio sente.

...levava uma vez a Rainha santa moedas no regaço para dar aos pobres(...) Encontrando-a el-Rei lhe perguntou o que levava,(...) ela disse, levo aqui rosas. E rosas viu el-Rei não sendo tempo delas...
O furor de cantar, Musa, refreia
E destempera a temperada lira,
Qual, não sentindo a nau, sói a sereia,
Antes, porque tardou, chora e suspira.
Se quiseras chorar com larga veia,
Eu mesmo lamentando te seguira,
Que o remédio mais certo de alegrar-me
É nunca de tristezas apartar-me.
Busquei mil vezes gostos que cantasse
Com subido coturno e voz sonora,
Mas temi com razão que os estranhasse
(...)
Um triste coração que sempre chora;
Que a quem triste se põe e triste nasce,
Mudado o nome à rubicunda Aurora,
Só tristezas e mágoas agradaram,
Quanto mais que já gostos acabaram.
(...)
Não vês de nossos tempos as mudanças,
Transformações de reinos e de gentes,
Mortes, desterros de uns, doutros bonanças,
Mil confusões de tristes e contentes,
Corte de bem tecidas esperanças,
Tela perfeita doutras diferentes,
Casos de eterno e de imortal espanto,
E dignos de imortal e eterno pranto?
Começar do destorço lusitano
E ruína total da glória altiva
Com que fez rico ao pobre mauritano
Sebastião, cuja morte inda hoje é viva;
Renovando-se sempre de ano em ano,
Qual águia que no mar a idade aviva,
Em outro mar de lágrimas que chora
Quem se deseja e sua sombra adora.Aqui se cala e fica contemplando,
Com o ver morto está também morrendo:
Ela rios de lágrimas chorando,
Ele rios de sangue está vertendo.
Não fala, porque o sangue está falando
Quanto pudera estar-lhe respondendo;
Nem ela, que se em lágrimas se emprega,
Lágrimas dizem quanto a dor lhe nega.
(...)Se me ele vira agora estar cantando
Cos sentidos na música tão prontos,
Não haver melhor cousa imaginando,
Quiçá que me enxergara alguns descontos:
Ora me achara duro, ora mui brando,
Enfim, mil erros no tomar dos pontos;
Mas pode ser que satisfeito fosse,
Que assaz deu o que deu conforme a posse.
Santa Isabel rainha de Portugal
de Vasco Mouzinho de Castelbranco.

Isabel escolhi por mais conforme
A este tempo da ímpia Isabela,
Para que sua vida tão enorme
Se confunda com esta vida bela,
E com exemplo seu esta reforme
Quanto com mau exemplo estraga aquela,
Qual ferido da rábida serpente
Olhando a do metal remédio sente.

...levava uma vez a Rainha santa moedas no regaço para dar aos pobres(...) Encontrando-a el-Rei lhe perguntou o que levava,(...) ela disse, levo aqui rosas. E rosas viu el-Rei não sendo tempo delas...
O furor de cantar, Musa, refreia
E destempera a temperada lira,
Qual, não sentindo a nau, sói a sereia,
Antes, porque tardou, chora e suspira.
Se quiseras chorar com larga veia,
Eu mesmo lamentando te seguira,
Que o remédio mais certo de alegrar-me
É nunca de tristezas apartar-me.
Busquei mil vezes gostos que cantasse
Com subido coturno e voz sonora,
Mas temi com razão que os estranhasse
(...)
Um triste coração que sempre chora;
Que a quem triste se põe e triste nasce,
Mudado o nome à rubicunda Aurora,
Só tristezas e mágoas agradaram,
Quanto mais que já gostos acabaram.
(...)
Não vês de nossos tempos as mudanças,
Transformações de reinos e de gentes,
Mortes, desterros de uns, doutros bonanças,
Mil confusões de tristes e contentes,
Corte de bem tecidas esperanças,
Tela perfeita doutras diferentes,
Casos de eterno e de imortal espanto,
E dignos de imortal e eterno pranto?
Começar do destorço lusitano
E ruína total da glória altiva
Com que fez rico ao pobre mauritano
Sebastião, cuja morte inda hoje é viva;
Renovando-se sempre de ano em ano,
Qual águia que no mar a idade aviva,
Em outro mar de lágrimas que chora
Quem se deseja e sua sombra adora.Aqui se cala e fica contemplando,
Com o ver morto está também morrendo:
Ela rios de lágrimas chorando,
Ele rios de sangue está vertendo.
Não fala, porque o sangue está falando
Quanto pudera estar-lhe respondendo;
Nem ela, que se em lágrimas se emprega,
Lágrimas dizem quanto a dor lhe nega.
(...)Se me ele vira agora estar cantando
Cos sentidos na música tão prontos,
Não haver melhor cousa imaginando,
Quiçá que me enxergara alguns descontos:
Ora me achara duro, ora mui brando,
Enfim, mil erros no tomar dos pontos;
Mas pode ser que satisfeito fosse,
Que assaz deu o que deu conforme a posse.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
BOM DIA, PORTUGAL! ANTÓNIO, PARABÉNS...a ACADEMIA É DE TODOS!!!!

Em 1908, António Oliveira Salazar tinha 19 anos e escreveu este poema intitulado “A uma rosa”, enamorado por uma professora primária:«A Uma Rosa»
Rosa tão linda, pálida e triste,
Rosa dos encantos, cheiras tão bem!
Vejo que sofres; dize, que sentes?
Tens saudades de tua mãe?
Pois ainda ontem tu vicejavas,
Ao pé das rosas, tuas irmãs,
Com quem vivias, embalsamando
A branda aragem destas manhãs!...
Mas eu cortei-te; rosa, perdoa!
Gostei de ti, mas ah! Fui cruel!
Tens saudades, não tens? Da abelha
Que ia, zumbindo, buscar o mel?
Tu já choravas lágrimas santas,
Que a aurora punha no cálix teu,
E eras alegre! Vê: quanto eu choro,
Sou triste e é sem fim o sofrer meu!
Fechas as folhas na dor imensa
Que te assoberba; causas-me dó!
Pois, coitadinha, lá na roseira
Tinhas amigas, não ´stavas só!
Rias com elas à luz do sol;
Brincáveis todas co´ a brisa pura
Que a madrugada manda a acordar-vos,
Depois do sono da noite escura…
Tu namoravas uma avezinha
Que p´ra o teu ramo vinha cantar;
Tinhas um ´spelho nas claras águas,
Em que te estavas sempre a mirar!
Agora, pobre! Vais definhando.
O lindo vaso não te seduz?
Rosa tão branca, rosa de encantos,
O que te falta? Tens ar e luz…
Ah! Mas o prado tão verde e o canto,
O canto triste do rouxinol?
E a brisa fresca que se levanta,
E vai beijar-vos, ao pôr do sol?
Tudo isso falta; mas que era isso,
Ao pé da falta do maior bem?...
Rosa, confessa, ´stás triste e morres,
Com saudades de tua mãe!...
Frase de Salazar, em azulejos de Jorge Colaço:"Dêmos à nação optimismo, alegria, coragem, fé nos seus destinos; retemperemos a sua alma forte ao calor dos grandes ideais e tomemos como nosso lema esta certeza inabalável: Portugal pode ser, se nós quisermos, uma grande e próspera nação." António de Oliveira Salazar, nasce a 28 de Abril de 1889, no Vimieiro, Santa Comba Dão.
...dele dizia Pessoa...(com uns copitos?!)
ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR
António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular...
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
......
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c'os diabos!
Parece que já choveu...
......
Coitadinho
do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho...
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.
...E QUANDO AS NUVENS PARTIREM...quem sabe...ou talvez não...a verdade será como há-de vir!...isto é...UMA ENORME CAVEIRA EM QUE TE VEJAS!!! (ESTE ERA SÉRIO E TINHA VERGONHA!!!)...(e apreciava mulheres bonitas!...ó Pessoa!)
http://youtu.be/EqqOiNunNSg
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