With mercury we measure pain
as we measure the heat of bodies and air;
but this is not how to discover our limits--
you think you are the center of things.
If you could only grasp that you are not:
the center is He,
and He, too, finds no love---
why don't you see?
The human heart--what is it for?
Cosmic temperature. Heart. Mercury.
sábado, 15 de outubro de 2016
em verdade em verdade vos digo - Cristo voltou a passar por aqui...
Girl Disappointed in Love
terça-feira, 7 de junho de 2016
Os Principios de Arquimedes - I.º -


BALADA DA DESPEDIDA DO V ANO MÉDICO DE 1948-1949Música: Manuel Raposo Marques (1902-1966)Letra: Arquimedes da Silva Santos (1921-)
Incipit: Eram sonhos, alegrias
Origem: Coimbra
Função inicial: despedida de curso de Medicina
Supercategoria: Canção de Coimbra
Subcategoria: temas de récitas de despedida
Data: 1949
Eram sonhos, alegrias,
E ilusões à chegada!
As fitas? – verdades frias
Para os que estão de abalada!…
Sete anos de mocidade
Te servimos e, à partida,
Já semeias de saudade
A canção da despedida.
Coro
Adeus Coimbra! Adeus Alta!
Que é do teu perfil de outrora?
O último curso que amaste
Contigo se vai embora.
Vocaliza-se a quadra a solo, sem repetições. Canta-se o coro seguido, bisando o segundo dístico. Segue-se o mesmo esquema na 2.ª quadra+coro
Informação complementar:
Composição para solista masculino e coro (na estreia o coro foi feito por alunos do próprio curso), em compasso 3/8 e tom de Sol.
A Récita de Despedida de 1948-1949 do V Ano Médico foi levada à cena na noite de 6 de Abril de 1949, no Teatro Avenida, em Coimbra, e repetida no dia seguinte.
A peça da récita, intitulada Clister de Bom Humor, com três actos e sete quadros, é obra colectiva do próprio curso. O Dr. Octaviano Carmo e Sá foi o ensaiador e Arquimedes da Silva Santos, contra-regra.
A edição musical da Balada foi composta na Tipografia «Missões Fransciscanas», Braga, 1949. Nela figuram os nomes de Manuel Raposo Marques e de Arquimedes da Silva Santos como autores da música e da letra, respectivamente. O autor da melodia, Manuel Raposo Marques, era natural da Ilha de São Miguel, Açores. Frequentou a Faculdade de Direito da UC, cujo curso não chegou a concluir, e foi membro da TAUC. Desde finais da década de 1920 regeu interinamente o Orpheon e a TAUC, tendo assumido oficialmente no final da década de 1930 a regência do Orpheon, da TAUC, e a cadeira de Música da UC. Deixou reportório coral e algumas composições para récitas de quintanistas, sendo a mais conhecida Fado da Despedida do 5.º Ano Médico de 1927-1928 (Foram-se as fitas queimadas), solfa disponível em http://guitarradecoimbra.blogspot.com/2006_02_01_archive.html. A análise da partitura parece indiciar alguma indecisão vivida pelo autor intelectual da música. Com efeito, a obra abre em Sol Maior, passa por Sol menor, no início do coro vai a Sol maior e em certos trechos não se chega a perceber qual seja o tom. Em algumas notas onde pareceria lógico bemolizar, este sinal não ocorre. Daí a nossa opção na frase inicial deste texto por um simples “tom de Sol”.
O arranjo para piano que consta da partitura impressa, embora mencione como autor Raposo Marques, deve ser corrigido, pois o verdadeiro autor dessa harmonização foi o Maestro João de Oliveira Anjo. O músico militar e maestro João de Oliveira Anjo (1916-2007) era clarinetista na orquestra de seu cunhado Manuel Eliseu, formação que no final da década de 1940 participou na estreia de récitas académicas. Quem harmonizou a balada para ser ensaiada pela dita orquestra foi João Anjo, a parte de piano incluída, arranjo que Raposo Marques expressamente pediu que lhe fosse cedido para figurar como seu nome na partitura impressa em Braga.
O trabalho de transcrição foi confrontado com uma gravação particular feita por Mário Medeiros, que aprendeu o tema na infância com uma tia, cantor que bemoliza algumas notas que Raposo Marques não sinaliza na partitura.
Do ponto de vista musical, a composição de 1949 reflecte o processo de regionalização a que o Estado Novo fora confinando a Universidade de Coimbra e o conservadorismo artístico dominante entre as elites da época, entretanto patenteado nas serenatas do Emissor Regional. Vale a pena relembrar que o letrista que assina o texto para Raposo Marques musicar é o mesmo que por 1945 entrega a Fernando Lopes Graça um texto para “Marchas, danças e canções” (1946).
Quem fez os solos da balada no palco do Avenida foi Mário Luís Mendes, então grelado de Medicina e solista do Orpheon, que, em Outubro de 1947, juntamente com Florêncio de Carvalho, cantou na Serenata de Coimbra transmitida pela então Emissora Nacional. Outro cantor coadjuvante terá sido Vasco Eloy, também solista e membro da direcção do Orpheon.
Assinou a letra, a pedido de elementos do curso, o estudante de Medicina Arquimedes Santos, destacado membro do TEUC, opositor do Estado Novo, representado no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira (veja-se a bibliografia referente a este importante médico, poeta, pedagogo e melómano apud “Bibliografia activa de Arquimedes da Silva Santos”, http://www2.cm-vfxira.pt/Page-Gen.aspx?WMCM_PaginaId=47563).
De acordo com informações prestadas em 12.04.2010, Arquimedes da Silva Santos nasceu na Póvoa de Santa Iria em 18 de Junho de 1921. Cursou Medicina em Coimbra entre 1941-1951, tendo-se destacado como membro do TEUC, da DirecçãoGeral da AAC na comissão liderada por Salgado Zenha (1945), animador do Ateneu Comercial de Coimbra, empenhado membro do movimento Neo-Realista e impulsionador da revista Vértice. Poucos meses antes da estreia da récita, em Janeiro, apoiou abertamente a candidatura presidencial de Norton de Matos no Teatro Avenida. Logo após, em 21 de Julho, foi preso, julgado e conduzido a Caxias, com ulterior passagem pelo Aljube (cf. Arquimedes da Silva Santos. Sonhando para os outros, 2007, p. 17 e ss).
A letra, alude à demolição da velha Alta sob o camartelo do Estado Novo. Conforme relembra o próprio Arquimedes da Silva Santos, o curso que se despediu em 1949 foi o último a ver o que era a antiga Acrópole que Pallas Atheneia havia erigido em Portugal e o primeiro a confrontar-se com a desoladora cratera em que a cidade fora transformada. Com “Clister” se despediram alguns notáveis da cultura portuguesa como Mário Luís Mendes (aclamado catedrático de Medicina e pai do serviço nacional de saúde conjuntamente com António Arnaut) e Bernardo Santareno.
Pelo que conseguimos apurar, não existe qualquer registo fonográfico desta composição. Não obstante, ela anda na tradição oral, havendo alguns antigos estudantes de Coimbra que a interpretam com a letra substancialmente truncada, ligeiras modificações na linha melódica e desconhecimento da data de criação.
O trabalho de reconstituição deve relevar os seguintes aspectos: a presença obrigatória de coro misto, característica presente em inúmeros temas da CC que se encontra desvalorizada nos trabalhos de estúdio e nos remakes pós-1974; o facto de estarmos perante um tema de palco, especificamente concebido para despedida de cursos, excelente pretexto para associar a guitarra de Coimbra a instrumentos como o piano, o contrabaixo, o violino, a flauta ou o clarinete.
Transcrição: Octávio Sérgio (2010)
Pesquisa e texto: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes
Agradecimentos: ao Maestro João Anjo (falecido em 2007), à equipa do Museu do Neo-Realismo pela informação disponibilizada e pela oferta do catálogo Arquimedes da Silva Santos. Sonhando para os outros. Vila Franca de Xira, Edição da CMVFX/MNR, 2007 (que referencia a balada), e ao Dr. Arquimedes da Silva Santos
terça-feira, 26 de maio de 2015
terça-feira, 22 de abril de 2014
...amigo maior que o pensamento!...( ao Alberto Vilaça - "homens assim não morrem")
...e à Dr.ª Natália, Raquel e Cristina, que em 27.04.1974 me acolheram e mostraram os discos do Zeca, já em liberdade!...BEM HAJA.
domingo, 24 de novembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
A tomada da Bastilha!!! - à Mn.ª Marta D. ( perdão, Mmª ) - 1.ª parte.
Tomada da Bastilha
Faltam pouco mais de cinco minutos para as doze badaladas da Cabra darem inicio a mais uma celebração da Tomada da Bastilha. A tradição de celebrar esta data não se perdeu, mas os acontecimentos que deram origem a esta celebração vão caindo no esquecimento. Assim, cabe deixar aqui a história da Tomada da Bastilha: "No livro "Coimbra de Capa e Batina" de Carminé Nobre vem a seguinte descrição dos acontecimentos:"No rés do chão do edifício, onde se encontra a Associação Académica, estava miseravelmente instalada a Casa dos Estudantes. Duas salas e pouco mais. No primeiro andar, amplo e luxuoso, estava o Clube dos Lentes onde os mestres, instalados em confortáveis sofás, jogavam as aristocráticas partidas de voltarete. Vinham de longe as diligências realizadas pelos estudantes junto da universidade, no sentido de instalar convenientemente a academia universitária.Baldadamente, pois embora se reconhecesse a justiça das reclamações apresentadas, surgiam sempre dificuldades na sua realização.Ansiavam os estudantes da época por uma sede condigna, onde pudessem receber professores, literatos e homens de ciência. Para tanto, desejavam possuir uma biblioteca, uma sala de conferências, de jogos, etc., mas o seu brado, apesar de justo, não encontrou repetidos ecos para lá da Porta Férrea.Resolveram, então, alguns estudantes da época, agir pelos seus próprios meios, e num grupo deles surgiu uma ideia. Uma luminosa ideia, que tempos depois se transformaria numa realidade para prestígio da Briosa: tomar de assalto o Clube dos Lentes e instalar nas suas salas, a sede da Associação Académica de Coimbra, dando assim realização a uma velha aspiração da Academia.Eram quarenta os conjurados, que cegamente obedeciam ao comité central, constituído pelos estudantes Fernandes Martins, Paulo Evaristo Alves (Padre Paulo) de Direito, Pompeu Cardoso, Augusto da Fonseca (o Passarinho) e João Rocha de Medicina.Em sucessivas reuniões, o comité central foi afinando o plano de assalto. Uma delas realizou-se na Torre de Anto onde a nostalgia de António Nobre pairava ainda em fortes traços de lirismo. Além do comité central, havia os chefes de grupo de inteira confiança, os quais por sua vez, recrutariam os elementos sobre que agiriam directamente.Uma noite, à luz mortiça de um lampião de azeite, velha relíquia de antigas gerações, o comité central deliberou, definitivamente, fazer o assalto no primeiro dia de Dezembro, comemorando o feito histórico de igual data, em 1640. Porém, um dia depois chegou ao conhecimento do comité a notícia, fundamentada ou não, de que a Reitoria apesar de todo o sigilo havido nas diligências já realizadas, tinha conhecimento do que pretendia fazer-se, e procurava evitá-lo, inclusivamente auxiliada pela intervenção da força pública.Uma reunião de urgência levou o comité revolucionário a precaver-se contra qualquer surpresa da Universidade e, assim, deliberou antecipar o movimento e marcar a sua realização para a madrugada de 25 de Novembro. Chegou a noite. O bairro latino afogava-se em penumbras. Numa casa antiga e em volta de uma mesa escalavrada, reuniu pela última vez o comité. Nessa noite, o Clube dos Lentes deixaria de existir na casa da Rua Larga. Por volta das onze horas estavam as forças reunidas e é curioso notar que os conjurados não conheciam o comité central. Todos os juramentos de fidelidade à causa eram feitos ao chefe de grupo, que, por sua vez, os transmitiam. Sobre a madrugada, frigidíssima e chuvosa, foi escalonado um grupo para assaltar a Torre da Universidade e repicar os sinos festivamente, logo que um morteiro lhe anunciasse que o Clube dos Lentes estava nas mãos da Velha Briosa.Ao partir, receberam as chaves falsas que lhes abriam a porta da Torre. A chuva caía em bátegas, e como se receasse o êxito desta diligência, que tinha de principiar pelo escalamento da Porta de Minerva, logo Augusto Fonseca, tranquilo e sorridente, destrui essa preocupação, afirmando: "a Torre é connosco". Vem a propósito dizer, que a agitação política daquela época, estendia a sua paixão até aos espíritos mais humildes. E foi certamente por isso, que o serralheiro Alfredo Garoto, com oficina na rua das Covas, ao ser peitado em confidência para fazer as chaves falsas, se apercebeu de que alguma coisa de muito sério se ia passar. E nesta convicção, interrogou em meia voz:-É contra os talassas? Se é, faço tudo de graça.Não foi contra os talassas, mas as chaves ainda hoje estão em dívida.Às 6 e 45 da manhã, a explosão de um morteiro sobressaltou a cidade e os estudantes que se encontravam na Torre ficaram assegurados que o assalto estava consumado.Repicaram os sinos e logo uma girândola de 101 tiros, lançada das varandas do antigo Clube dos Lentes, tornado naquele momento Associação Académica de Coimbra, chamou a Academia à realidade da conquista.Acorreram os estudantes de todos os lados da cidade. Nas primeiras impressões Coimbra julgou tratar-se de um movimento político.O dia 25 foi de festa rija para a Academia. Ao rasar da noite, partiu da Alta com destino à Baixa - a via sacra do estudante - uma marcha luminosa (hoje recordada como o cortejo dos archotes) com milhares de pessoas, pois a cidade associou-se ao regozijo à Briosa. E quando outra madrugada rompeu ainda no bairro latino se ouvia o grito heróico da conquista:- Viva a Academia!Era ao tempo Presidente da República, o grande tribuna e eminente cidadão Dr. António José de Almeida, Presidente do Concelho Dr. Álvaro de Castro, e Ministro da Instrução Dr. Júlio Dantes, a quem a Academia enviou a comunicação telegráfica de que se encontrava instalada na sua nova sede, manifestando também, o seu mais ardente desejo na constante prosperidade de Portugal. Estas três individualidades, desconhecendo o que se passava e julgando, possivelmente que a Academia de Coimbra se instalara pacificamente e com conhecimento da Universidade na sua nova sede, responderam aos cumprimentos recebidos, retribuindo calorosamente e desejando todas as felicidades à esperançosa Academia de Coimbra: "A irreverência foi completa."
`A Mmª Marta D., pela agradável e sã companhia por essa Europa fora...!!!...
domingo, 23 de junho de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Boémia Velha/Boémia Nova, Insubmissos, e Chanfana à moda de Coimbra.
"Preside o neto da rainha Ginga
À corja vil, aduladora, insana.
Traz sujo moço amostras de chanfana,
Em copos desiguais se esgota a pinga.
Vem pão, manteiga e chá, tudo à catinga;
Masca farinha a turba americana;
E o oragotango a corda à banza abana,
Com gesto e visagens de mandinga.
Um bando de comparsas logo acode
Do fofo Conde ao novo Talaveiras;
Improvisa berrando o rouco bode.
Aplaudem de contínuo as frioleiras
Belmiro em ditirambo, o ex-frade em ode.
Eis aqui de Lereno as quartas-feiras."
Bocage
Chanfana à Moda de Coimbra
Ingredientes:
1,5 kg Carne de Cabra velha
0.75 dl de vinho tinto
6 cabeças de alho
louro q.b.
piri-piri q.b.
sal a gosto
pimenta preta q.b.
2 colheres de sopa de banha de porco
Confecção:
De véspera limpa-se e corta-se a carne de cabra, coloca-se o vinho, o alho com cascas e socado, o louro, o piri-piri, o sal e a pimenta e reserva-se de um dia para o outro.
Coloca-se na panela de pressão juntamente com a banha durante 1:30h a 2:00h, depois coloca-se numa panela de barro ou inox (se não houver de barro) e deixa-se apurar até servir. Acompanha-se com grelos ou outro legume verde cozido e batatas cozidas ou fritas.
CONFRARIAS DE PETISCOS
Ouvimos todos os dias
Falarem nas Confrarias
De petiscos, não de migas…
Confrarias, caçarolas
Que dantes eram esmolas,
Confortam hoje as barrigas
As vestes são de espavento
Lembram, frades do Convento,
Tão vestidos a rigor.
Eu não sei, mas, com certeza
Há procissão para à mesa
E vai o Senhor Prior.
Vila Nova de Poiares,
Com aqueles seus bons ares,
Proclama que é rainha
Da Chanfana cá da Beira.
E Góis Princesa do Ceira,
Das trutas ou da sardinha?...
A Pampilhosa da Serra,
Sem fazer nenhuma guerra,
Chamou a si o maranho;
Iguaria de carneiro,
Ou galo do “capoeiro”
Sendo de arroz o amanho
Arganil o seu produto,
De que já tem estatuto,
Eu vos direi: é de luxo!
Pois nessa vila beiroa,
P’ra ser comido com broa
A Confraria é do bucho.
E Góis fica-se a olhar,
De boca aberta a pensar:
Sem uma ideia na mesa?
Oh gente, há tanta iguaria,
Façam já a Confraria
Do cozido à Portuguesa!
Clarisse B. Sanches
Ai esta "Cabra" ainda vai cumprir seu ideal
ainda vai tornar-se na real chanfana de Portugal!...
sexta-feira, 29 de março de 2013
Casa de Caloteiros e Ladrões - O Entremês de Jacobino - ao GEFAC - Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra.
Era un sobrinhu i un tiu; furun l´s dous a caça; indo ls dous a caça al sobrinhu lápareçionosso Sinhore; i dixu:-Que don quies que te deia?.- Adonde you atiri, qu(e) tod(o) mate, i cuan(do)you toca la mie flauta, qu(e) tod(o) dance b.Tirou un tiru, todo...siempre, siempre mataba; atiraba outro, a outro paixaru, mataba-l´tambie
terça-feira, 20 de novembro de 2012
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
POETA."Gritos de Cristal e de oiro que o Bettencourt alto erguia que é da roda que algum dia vos havia de acompanhar."
EDMUNDO DE BETTENCOURT
Edmundo de Bettencourt é considerado por todos os amadores e especialistas de Fado de Coimbra como o maior de todos os estilistas e cantores do género. Madeirense do Funchal, onde nasceu em 1899, fez parte da chamada "Década d'0iro". Mas a sua influência não ficou por aí, dado que Bettencourt foi igualmente escritor e poeta de grande importância; foi em 1927 um dos fundadores da mítica revista literária Presença, cujo elenco abandonaria em 1930. Contudo foi a música que o popularizou, de tal modo que mesmo gerações posteriores o aclamaram; José Afonso, cujo pai fora contemporâneo de Bettencourt, considerava-o o "maior cantor de fados de todos os tempos". Parece hoje claro que, para a qualidade artística de Edmundo Bettencourt, muito contribuiu o facto de ter sido acompanhado à guitarra por Artur Paredes. A história diz-nos dele ter sido menos boémio do que os seus colegas estudantes, mas também um pioneiro no aproveitamento de canções e elementos musicais tradicionais de outras zonas do país. A sua influência estendeu-se ao longo dos anos e não são poucos os cantores de Coimbra que a assumem. Edmundo de Bettencourt não gravou tanto como António Menano (conhecem lhe apenas oito discos com dezasseis gravações) mas entre elas estão faixas tão lendárias como Saudades de Coimbra (mais conhecida pelo seu verso "Do Choupal até à Lapa") ou Samaritana. Faleceu em 1973. "Saudades de Coimbra" Oh Coimbra do Mondego E dos amores que eu lá tive Quem te não viu anda cego Quem te não ama não vive Do Choupal até à Lapa Foi Coimbra os meus amores A sombra da minha capa Deu no chão abriu em Flores “Sugestão” Entro na Igreja majestosa e calma, Erro na sombra sob as arcarias Anda no ar silêncio, e a minha alma Toma a frieza das colunas frias Numa capela triste aonde espalma, Doirado ilustre, chamas fugidias, Tocam-me o peito as setas duma palma A evocar-me de Cristo em agonias Começa o som do órgão, morno, errante, E o aroma do incenso penetrante Como as garras aduncas do tormento E o já desejo acre de esquecer, De o longe e o mundo eu só escutar e ver, No coração me nasce brando e lento
"Saudades de Coimbra"
Oh Coimbra do Mondego
E dos amores que eu lá tive
Quem te não viu anda cego
Quem te não ama não vive
Do Choupal até à Lapa
Foi Coimbra os meus amores
A sombra da minha capa
Deu no chão abriu em Flores
“Sugestão”
Entro na Igreja majestosa e calma,
Erro na sombra sob as arcarias
Anda no ar silêncio, e a minha alma
Toma a frieza das colunas frias
Numa capela triste aonde espalma,
Doirado ilustre, chamas fugidias,
Tocam-me o peito as setas duma palma
A evocar-me de Cristo em agonias
Começa o som do órgão, morno, errante,
E o aroma do incenso penetrante
Como as garras aduncas do tormento
E o já desejo acre de esquecer,
De o longe e o mundo eu só escutar e ver,
No coração me nasce brando e lento
quinta-feira, 31 de maio de 2012
M.R.I.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Luís de Camões
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Parabéns, Zé!, vem cá outra vez!...se possivel com o Adriano e o outro Zé, para pôr a Academia de Pé!!!...
José Mário Branco (Porto, 25 de Maio de 1942) é um músico e compositor (cf. cantautor) português. cresceu no Porto e iniciou o curso de História, na Universidade de Coimbra, não o terminando.
EU VIM DE LONGE, EU VOU P’RA LONGE (CHULINHA)
Letra e música de José Mário Branco.
1.
Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de Maio começou
Eu olhei p’ra ti
E então eu entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou
Refrão
Eu vim de longe, de muito longe
O que eu andei p’raqui chegar
Eu vou p’ra longe, p’ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com que temos p’ra nos dar
E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos que cantei
Foram frutos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
Refrão
2.
Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei p’ra ti
E então eu entendi
Foi um indo sonho que acabou
Houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi p’ra esta força que apontou
Refrão
E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções
Refrão
3.
Quando finalmente eu quis saber
Se inda vale a pena tanto q’rer
Eu olhei p’ra ti
E então eu entendi
É um lindo sonho p’ra viver
Quando toda a gente assim quiser
Tenho esta viola numa mão
Tenho minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel p’ró ajudar
Refrão
E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar à solta
Que já não hesito
E os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer
Refrão (final)
Eu sei que tu não és destas coisas!...desculpa lá qualquer coisinha!!!
sábado, 19 de maio de 2012
VERA...cidade!!!...«Morre jovem o que os Deuses amam»...«Quem di diligunt adulescens moritur).»MODERNIDADE, FUTURISMO!!!...MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO!...A Academia precisa de ti!!!
Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.
FIM - MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
Mário de Sá Carneiro
A TAÇA JÁ ERA NOSSA, E MAIS NINGUÉM TEM A 1ª !!!
"São horas de embalar a trouxa
boa noite, Tia Maria
Que a malta ganhava a taça
já toda a gente sabia..."
VIVA A BRIOSA!!!...Á EXM.ª DR.ª VERA.
domingo, 4 de março de 2012
NEW LOOK!!!...Coimbra!...Conhecimento e Glamour!...à Veneranda Mestre M.M.V....Eugénio de Castro!Thanks.

Eugénio de Castro e Almeida (Coimbra, 4 de março de 1869 — 17 de agosto de 1944) foi um escritor português.
Por volta de 1889 formou-se em Letras pela Universidade de Coimbra e mais tarde veio a lecionar nessa faculdade. Funda a revista "Os Insubmissos" com João Menezes e Francisco Bastos ainda nos últimos anos da sua licenciatura, mais propriamente em 1889. Colaborou com a resvista que fundou e com a revista "Boémia nova", ambas seguidoras do Simbolismo Francês. Em 1890 entrou para a história da literatura portuguesa com o lançamento do livro de poemas "Oaristos", marco inicial do Simbolismo em Portugal.
A obra de Eugénio de Castro pode ser dividida em duas fases: na primeira, a fase simbolista, que corresponde a sua produção poética até o fim do século XIX, Eugénio de Castro apresenta algumas características da Escola Simbolista, como o uso de rimas novas e raras, novas métricas, sinestesias, aliterações e vocabulário mais rico e musical.
Na segunda fase ou neoclássica, que corresponde aos poemas escritos já no século XX, vemos um poeta voltado à Antiguidade Clássica e ao passado português, revelando um certo saudosismo, característico das primeiras décadas do século XX em Portugal.
OARISTOSOARISTOS
I
Triunfal, teatral, vesperalmente rubro,
Na diáfana paz dum poente de Outubro,
O sol, esfarrapando o incenso dos espaços,
Caminha para a morte em demorados passos,
Como as bandas que vão a tocar nos enterros...
E surgindo detrás de acuminantes serros,
Melancolicamente a lua de mãos belas,
Tecedeira do azul, tece num tear de estrelas,
Um lenço branco, um lenço alvíssimo e brilhante,
Para acenar com ele ao sol, seu ruivo amante...
Sobre o verde jardim caem penumbras lentas.
Em seus vasos de louça, as flores sonolentas
São berços embalando o dormir dos insectos;
A alma dum arroio, entre avencas e fetos,
Suspirosa, murmura em cascavéis de prata;
Velha Níobe, chora ao longe uma cascata;
Esplendem girassóis como fulvas custódias;
Passam no éter brando as pastorais monódias;
E à flor dum lago, onde o sol cai em flavos feixes
E onde passam legiões de escarlatinos peixes,
À flor dum lago azul, circundado de buxo,
Simbólico, real, levanta-se um repuxo,
Como uma grande flor de cristal a cantar!
Foi numa hora assim, mansa, crepuscular,
Que ao longo desta longa e folhosa alameda,
Altiva, imperial, entre um rugir de seda,
Vi pela vez primeira a Eleita de minh'alma,
A grande Flor subtil, inigualável, alma,
A Maior, a mais Bela, a mais Amada, a Única!
Vinha gloriosa e triste, envolta em negra túnica,
Que no chão se rojava em ondulantes dobras,
Tinha no calmo andar a elegância das cobras,
A leveza dum silfo e a graça duma ânfora,
E, assim como num golpe um alvo pó de cânfora,
O seu olhar fazia doer, olhar profundo.
Eu era nesse tempo um grande vagabundo,
Um precoce infeliz, viúvo de ilusões;
O sinistro fragor das mundanas paixões
Não chegava de há muito a meus ouvidos lassos;
O egoísmo, o grande rei, cingira-me em seus braços;
De ninguém tinha dó, de ninguém tinha inveja...
Contemplando de longe a sórdida peleja,
Esta infrene peleja, a que chamamos vida,
Seguia, alheio a tudo e de cabeça erguida,
Tendo um único irmão: o meu gelado orgulho.
A Dúvida, funesto, ardente sol de Julho,
Queimara, rudemente, a flor da minha crença;
Em meu peito reinava a fria indiferença;
Tinha descarrilado o vagão dos meus sonhos;
Meus dias eram maus, longuíssimos, tristonhos,
Ensopados de névoa e de melancolia...
Mas ao vê-lA surgir triunfalmente fria,
Grácil como uma flor, triste como um gemido,
Meu peito recobrou o seu vigor perdido,
Todo eu era contente e alegre como um rei!
E, cheio de surpresa, abismado, fiquei
A olhar o seu perfil e o garbo do seu colo,
Cheio de admiração, como um homem do pólo
Quando, depois de ter suportado os reveses
Duma noite cruel e fria de seis meses,
Iluminando enfim os tenebrosos trilhos,
Vê surgir, entre a neve, o sol com ruivos brilhos!
O céu fulgia como a cauda dum pavão.
Aos seus cabelos reais prendiam-se no chão,
Triste e amorosamente, as pálidas folhagens,
Enquanto os olhos meus seguiam como pajens,
O seu rítmico andar sonâmbulo e moroso...
Assim me apareceu o Lírio tenebroso,
Cujo ar desprezador me fere e vampiriza,
Criatura esfingial, triste como Artemisa,
Vingativa, feroz e linda como Fásis,
Flor cujo corpo é o aprilino oásis,
O caravansará que, por noites insanas,
Vão demandando embalde as longas caravanas,
As caravanas dos meus nómades desejos...
Assim eu vi brilhar seus olhos malfazejos,
Assim me deslumbrou a graça do seu busto!
Hoje venho cantar em verso nobre e augusto
Seus álgidos desdéns, tão frios como um túmulo,
E seu corpo que é a quinta-essência, o cúmulo
Da esbeltez, do frescor, da graça feminina.
– Flor bizarra, que eu vi à hora vespertina,
Flor marcescente, que eu constantemente sigo,
Flor, que olho sem cessar, como um estilita antigo,
Olhando o flavo sol, de pé, numa coluna,
Flor de trigueiras mãos, de cabeleira bruna,
Em teu regaço ponho este livro a ti feito.
Este livro febril, que delira e que mostra
Um desvairado amor agarrado ao meu peito,
Rara pérola azul agarrada a uma ostra!
II
Em verso vou cantar o meu Diamante preto!
Do mais grácil, estranho e bizantino aspecto,
Flexível corno um junco e esbelto como um fuso,
Seu núbil corpo tem, num dualismo confuso,
A finura do lírio e o garbo das serpentes;
Soberba e esguia, com seus passos indolentes,
Quando caminha. lembra uma túlipa a andar;
Lenta e subtil, parece até que vai no ar,
Como um caule de flor, levada pela aragem;
Basta vê-lA uma vez para que a sua imagem
Leve, tão leve como os perfumes e o som,
Fique vibrando em nós, eternamente, com
A doçura sem par duma voz que se extingue...
Franzino e original, o seu corpo é um moringue
Em cujo colo estreito alguém tivesse posto
Um moreno botão de rosa-chã, – seu rosto,
Grácil botão que exala uma essência secreta,
Botão onde pousou nocturna borboleta
Com asas negras, muito negras, – seus bandós.
Sua desfalecida e liquescente voz,
Dorida como um ai e lassa como um canto,
Sua lânguida voz, maravilhoso encanto,
De que Ela tem o amavioso monopólio,
E um fio de veludo, um suavíssimo óleo:
Suave, a sua voz suave se derrama...
Seu hálito infantil endoidece e embalsama,
Subtil como o ananás, forte como um veneno.
Seu pescoço sem par é um cortiço moreno,
Que os meus desejos vão circundando em colmeia.
Tem música no andar, quando à tarde passeia
Do seu alto balcão nos marmóreos losangos.
A sua boca é um sorvete de morangos.
Seu magro busto oval brilha, como um santelmo,
Sob o seu penteado, esse ebânico elmo
Pesado e nocturnal, com reflexos azuis.
Seu gesto excede em graça as larvas dos paúis,
Que em curvos voos vão voando à flor dos pântanos.
Tem as unhas de opala; o seu riso quebranta-nos;
Vibrante de coral, seus cílios são de seda;
Seu capitoso olhar é um vinho que embebeda;
Seus negros olhos são duas amoras negras!
Original, detesta as convenções e as regras;
Ama o luxo, o requinte e a excentricidade,
Faz tudo o que lhe apraz, impõe sua vontade,
Diz o que sente, sem lisonja, sem disfarce.
Cousa que muito poucos têm, sabe domar-se:
Como é medrosa, a fim de ver se perde o medo,
Às quietas horas do Mistério e do Segredo,
Percorre longos, funerários corredores,
Onde pairam, chorando as suas fundas dores,
Fantasmas glaciais, errantes e protervos!
Nervosa, com o fim de subjugar seus nervos,
Corta as unhas em bico, à guisa de punhais.
– Chega mesmo a morder pedaços de veludo!
Detesta o movimento, as expansões e tudo
O que possa alterar o seu viver inerte;
Não costuma sair; sonha; não se diverte;
Seus raros gestos são cheios de bizarria,
Finos, excepcionais, sem par.
Pedi-lhe um dia
Que me dissesse qual é o sonho singular,
O sonho que Ela mais quisera realizar,
Aquilo que Ela mais desejaria ter,
Ao que Ela respondeu:
– «Desejaria viver
«No pólo norte, numa estufa de cristal!»
Odeia a luz: ama a penumbra vesperal...
Odeia o piano: adora o som lento do órgão...
E suas finas mãos que bem raro me outorgam
A permissão de as oscular, suas mãos finas,
As suas mãos arquiducais, longas, divinas,
Não sustiveram nunca o peso duma agulha.
Ama os perfumes e as visões; odeia a bulha;
Seu corpo estonteante e lânguido que exala
Doces e sensuais aromas de Sofala,
Do Cairo, do Japão, do Iémen e da Pérsia,
Seu corpo sensual foi feito para a inércia:
– Até para falar às vezes tem preguiça!
Tal é a fria Flor taciturna, insubmissa,
Cujos olhos astrais cortam como estiletes,
Tal é a bem Amada impassível, trigueira,
Cujos olhos astrais – agudos alfinetes,
Ferem meu coração – dorida pregadeira!
XI
Um sonho.
Na messe, que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, o celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves.
Flor! enquanto na messe estremece a quermesse
E o sol, o celestial girassol esmorece,
Deixemos estes sons tão serenos e amenos,
Fujamos, Flor! à flor destes floridos fenos...
Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Como aqui se está bem! Além freme a quermesse...
– Não sentes um gemer dolente que esmorece?
São os amantes delirantes que em amenos
Beijos se beijam, Flor! à flor dos frescos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítólas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...
Esmaiece na messe o rumor da quermesse...
– Não ouves este ai que esmaiece e esmorece?
É um noivo a quem fugiu a Flor de olhos amenos,
E chora a sua morta, absorto, à flor dos fenos...
Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Penumbra de veludo. Esmorece a quermesse...
Sob o meu braço lasso o meu Lírio esmorece...
Beijo-lhe os boreais belos lábios amenos,
Beijo que freme e foge à flor dos flóreos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...
Teus lábios de cinábrio, entreabre-os! Da quermesse
O rumor amolece, esmaiece, esmorece...
Dá-me que eu beije os teus' morenos e amenos
Peitos! Rolemos, Flor! à flor dos flóreos fenos...
Soam vesperais as Vêsperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Ah! não resistas mais a meus ais! Da quermesse
O atroador clangor, o rumor esmorece...
Rolemos, b morena! em contactos amenos!
– Vibram três tiros à florida flor dos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Citolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves...
Três da manhã. Desperto incerto... E essa quermesse?
E a Flor que sonho? e o sonho? Ah! tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora, à flor dos flóreos fenos...
XII
Saúde e Ouro e Luxo! A Primavera
Interminável! Viagens! Dias lentos!
Inércia e Ouro! O nome aos quatro ventos!
Noites mornas de amor! Tal a Quimera!
A Sombra! A falta de Ouro que exaspera
E da mulher os falsos juramentos!
Correr mapas! Bocejos sonolentos!
Assim a Vida corre e nos lacera!
Sonhamos sempre um sonho vago e dúbio!
Com o. Azar vivemos em conúbio,
E apesar disso, a ALMA continua
A sonhar a Ventura! – Sonho vão!
Tal um menino, com a rósea mão,
Quer agarrar a levantina LUA!
domingo, 12 de fevereiro de 2012
ELUCIDÁRIO, de Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo!!!...à Veneranda Mestre, Santa Rosa da Covilhã.


VITERBO, Joaquim de Santa Rosa de, O.F.M. 1744-1822,
Elucidário das palavras, termos e frases que em Portugal antigamente se usaram e que hoje regularmente se ignoram : obra indispensável para entender sem erro os documentos mais raros e preciosos que entre nós se conservam / Publicado em Beneficio da Litheratura Portugueza Por Fr. Joaquim de Santa Rosa Viterbo. .... - 1ª ed. revista, correcta e copiosamente addicionada de novos vocábulos, observações e notas críticas com um índice remissivo.Coimbra, em 1815, impresso na imprensa da Universidade, com o título de: Diccionario portatil das palavras, termos e phrazes, que em Portugal antigamente se usaram, e que hoje regularmente se ignoram: resumido, correcto e addicionado pelo mesmo autor do Elucidario, a beneficio da litteratura portugueza.
Rosa sem Espinhos Para todos tens carinhos,
A ninguém mostras rigor!
Que rosa és tu sem espinhos?
Ai, que não te entendo, flor!
Se a borboleta vaidosa
A desdém te vai beijar,
O mais que lhe fazes, rosa,
É sorrir e é corar.
E quando a sonsa da abelha,
Tão modesta em seu zumbir,
Te diz: «Ó rosa vermelha,
» Bem me podes acudir:
» Deixa do cálix divino
» Uma gota só libar...
» Deixa, é néctar peregrino,
» Mel que eu não sei fabricar ...»
Tu de lástima rendida,
De maldita compaixão,
Tu à súplica atrevida
Sabes tu dizer que não?
Tanta lástima e carinhos,
Tanto dó, nenhum rigor!
És rosa e não tens espinhos!
Ai !, que não te entendo, flor.
Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'
Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo (Gradiz, Guarda, 13 de Maio de 1744 – Santo Cristo da Fraga, Sátão, Viseu, 13 de Fevereiro de 1822), foi um historiador português, e religioso franciscano. A sua maior obra é Elucidário, publicada em 1798.
(Bárbara!...o que é prometido ...é devido!)
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
"Por não ter outros melhores, este meu livro ofereço, ao maior entre os maiores, Poetas que eu conheço" TORGA versus Aleixo!


Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, (São Martinho de Anta, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995) foi um dos mais importantes poetas e escritores portugueses do século XX. Destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
LA LÁMPARA MARINA..."Há homens que lutam um dia, e são bons!...porém há os que lutam toda a vida,estes são os imprescindíveis!"B.Brecht.


Nasce em Coimbra a 10 de Novembro de 1913.
La Lámpara Marina
Pablo Neruda
I
El Puerto
Color de cielo
Cuando tú desembarcas
en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
II
La Cítara
Olvidada
Oh Portugal hermoso
cesta de fruta y flores,
emerges
en la orilla plateada del océano,
en la espuma de Europa,
con la cítara de oro
que te dejó Camoens,
cantando con dulzura,
esparciendo en las bocas del Atlántico
tu tempestuoso olor de vinerías,
de azahares marinos,
tu luminosa luna entrecortada
por nubes y tormentas.
III
Los presidios
Pero,
portugués de la calle,
entre nosotros,
nadie nos escucha,
sabes
dónde
está Álvaro Cunhal?
Reconoces la ausencia
del valiente
Militão?
Muchacha portuguesa,
pasas como bailando
por las calles
rosadas de Lisboa,
pero,
sabes dónde cayó Bento Gonçalves,
el portugués más puro,
el honor de tu mar e de tu arena?
Sabes
que existe
una isla,
la isla de la Sal,
y Tarrafal en ella
vierte sombra?
Sí, lo sabes, muchacha,
muchacho, sí, lo sabes.
En silencio
la palabra
anda con lentitud pero recorre
no sólo el Portugal, sino la tierra.
Sí, sabemos,
en remotos países,
que hace treinta años
una lápida
espesa como tumba o como túnica
de clerical murciélago,
ahoga, Portugal, tu triste trino,
salpica tu dulzura
con gotas de martirio
y mantiene sus cúpulas de sombra.
IV
El Mar
Y Los Jazmines
De tu mano pequeña en otra hora
salieron criaturas
desgranadas
en el asombro de la geografia.
Así volvió Camoens
a dejarte una rama de jazmines
que siguió floreciendo.
La inteligencia ardió como una viña
de transparentes uvas
en tu raza.
Guerra Junqueiro entre las olas
dejó caer su trueno
de libertad bravía
que transportó el océano en su canto,
y otros multiplicaron
tu esplendor de rosales y racimos
como si de tu territorio estrecho
salieran grandes manos
derramando semillas
para toda la tierra.
Sin embargo,
el tiempo te ha enterrado.
El polvo clerical
acumulado en Coimbra
cayó en tu rostro
de naranja oceánica
y cubrió el esplendor de tu cintura.
V
La Lámpara
Marina
Portugal,
vuelve al mar, a tus navíos,
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.
Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas de Océano.
Portugal, navegante,
descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
las islas asombradas,
descubre el archipélago en el tiempo.
La súbita
aparición
del pan
sobre la mesa,
la aurora,
tú, descúbrela,
descubridor de auroras.
Cómo es esto?
Cómo puedes negarte
al ciclo de la luz tú que mostraste
caminos a los ciegos?
Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?
Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.
Rompe
las telaranãs
que cubren tu fragrante arboladura,
y entonces
a nosotros los hijos de tus hijos,
aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstranos que tú puedes
atravesar de nuevo
el nuevo mar oscuro
y descubrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.
Navega, Portugal, la hora
llégó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.
En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:
aprenderás de nuevo a ser estrella.
"ATÉ AMANHÃ, CAMARADAS!"...
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